Educação - Wednesday, 29/11/2006 0:01 - 0 Comentários
Expansão do programa Gênero e Diversidade pode começar em fevereiro
Coordenado pela secretaria, o programa tem o objetivo de capacitar professores da rede pública de 5ª a 8ª séries para lidar com manifestações em sala de aula de preconceito racial, de gênero ou de preferência sexual.
AGÊNCIA BRASIL
Brasília - O governo federal espera expandir ao restante do país o programa Gênero e Diversidade na Escola a partir de fevereiro de 2007, anunciou hoje (28) a gerente de Projetos da Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres, Dirce Margarete Grosz.
Coordenado pela secretaria, o programa tem o objetivo de capacitar professores da rede pública de 5ª a 8ª séries para lidar com manifestações em sala de aula de preconceito racial, de gênero ou de preferência sexual.
Para tanto, são ministradas aulas presenciais e a distância com 200 horas de duração. Inicialmente, o projeto foi implementado em seis cidades, Salvador (BA), Dourados (MS), Porto Velho (RO), Maringá (PR), Niterói e Nova Iguaçu, ambas no Rio de Janeiro. Foram capacitados 200 professores de cada município, num total de 1,2 mil educadores.
Segundo Grosz, para que o projeto seja levado a outros municípios que demonstrarem interesse na capacitação, devem ser firmadas parcerias com universidades públicas federais ou estaduais e até mesmo privadas. Ela participou nesta terça-feira da primeira oficina de avaliação do programa, que prossegue até quinta-feira (30).
No encontro, ela lembrou que, muitas vezes, o preconceito é a raiz da violência contra as mulheres. “Se a mulher é discriminada na nossa sociedade, acaba sendo muito mais se é uma mulher negra e mais ainda se ela for uma mulher lésbica, por exemplo. São temáticas difíceis, construções feitas por meio da cultura, e a escola tem o dever de fazer essa desconstrução [do preconceito]”.
A gerente pondera que os professores precisam estar preparados. "E nossas universidades, muitas vezes, não se preocupam com essa temática nos seus cursos de formação”, acrescentou.
Na abertura da oficina, a ministra da Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres, Nilcéa Freire, afirmou outra dificuldade: o fato de os próprios educadores terem suas convicções pessoais sobre o assunto.
“Não é fácil lidar com essas questões em sala de aula. A gente fala que as pessoas têm que mudar de atitude, mas o professor tem um conjunto de crenças e valores. Além disso, tem que lidar com crianças que trazem crenças e valores de suas famílias, portanto, é preciso um instrumental para trabalhar isso em sala de aula, e é isso que esse programa pretende oferecer”.
O conteúdo e a metodologia do curso foram desenvolvidos pelo Centro Latino-Americano em Sexualidade e Direitos Humanos (Clam), ligado à Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj).
Na avaliação de uma das representantes do centro presentes à oficina de avaliação, a professora e antropóloga Fabíola Rohden, as convicções pessoais não podem se sobressair, uma vez que o combate ao preconceito se relaciona à garantia de direitos. “O papel do educador vem em primeiro lugar e não as suas convicções”.
Para a professora de História Cláudia Fermiano, 31 anos, uma das principais dificuldades superadas após o curso foi a falta de material didático para subsidiar as discussões sobre as diferenças de gênero, raça e preferência sexual. Ela dá aulas para alunos de 5ª a 8ª séries em um colégio em Niterói (RJ) e disse que já começou a sentir mudanças no comportamento de alunos.
A professora citou o caso de dois estudantes de uma mesma turma que eram discriminados por causa da preferência sexual. “O trato na sala de aula mudou muito, os alunos passaram a se sentir na obrigação de respeitar aqueles dois alunos, de incluí-los de uma forma natural, sem destaque para essa ou aquela característica que eles pudessem apresentar”.
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