Educação - Tuesday, 29/5/2007 4:28 - 0 Comentários
Ruas de lama impedem acesso à escola em Mesquita
{mosimage} A falta de infra-estrutura em Mesquita faz com que alunos deixem as aulas
JORNAL HORA H
A professora Rita Soares Vieira, não vislumbra perspectiva de um futuro melhor no bairro onde trabalha há 17 anos. Diretora do Ciep Nino Miraldi, localizado em um dos bairros mais pobres do município de Mesquita, ela lamenta os números negativos que estampam os gráficos da escola. Somente este ano, a unidade amargou 248 vagas deixadas por alunos que desistiram de estudar. E uma das principais causas seria a falta de infra-estrutura no bairro castigado pela chuva e pelas centenas de buracos espalhados por diversos trechos. “Já perdemos muitos alunos. Agora, estamos querendo reverter esse processo marcado pela evasão. Para esse semestre são 81 vagas, e para o segundo, estamos reservando mais 160 vagas. A situação do bairro é crítica, mas nós, educadores, precisamos continuar trabalhando para resgatar esses alunos”, explicou.
Na Rua Guarani, onde funciona o Ciep, quando chove é praticamente impossível entrar na escola. O local se transforma em lagoa, e uma poça de lama continua em frente ao portão principal, resultado da última chuva. Com isso, as crianças são obrigadas a ficar em casa. A estudante Thaís Eduarda de Jesus, 14, afirmou que a mãe já estuda a possibilidade de pedir sua transferência por causa desses problemas. Aluna da 6ª série, a adolescente cita também a falta de professores, como outro fator para a mudança. “Como se não bastasse o bairro estar abandonado pela prefeitura, ainda enfrentamos a falta de aula por não tem professor. Desde o início do ano letivo não sei o que é matemática, educação artística e ciências”, denuncia.
Moradores insatisfeitos
Os moradores também não agüentam mais o descaso por parte da prefeitura do município. As reclamações são muitas, e os problemas também. A dona de casa Maria Luiza, 75, mora no bairro Jacutinga há mais de 30 anos, e todos os anos enfrenta o problema das águas da chuva. “A situação não muda. Estamos cansados de retirar água de dentro de casa. Trocar móveis e pedir providências à prefeitura. Até as crianças são impedidas de ir à escola. E se alguém precisar de socorro médico, morre aqui mesmo”, desabafa.
Convocação de professor
A direção do Ciep Nino Miraldi esclareceu que a Secretaria estadual de Educação já está solucionando a falta de professores na unidade. Nas 5ª e 6ª séries, onde havia deficiência de disciplinas, o órgão já convocou profissionais para os turnos da tarde, do ensino fundamental. No momento, segundo Rita Soares, apenas 55 alunos estão sem professor de matemática. Professores das outras disciplinas, como educação física, artística e ciências já estão lecionando.
Cabral reconhece crise
A educação pública está tendo um progressivo esvaziamento de qualidade, por falta de melhores condições de trabalho para os professores e funcionários. Foi o que declarou ontem o governador Sérgio Cabral. Ele defendeu o secretário de Educação, Nelson Maculan, que afirmara que o setor está em crise. “A declaração do secretário foi extremamente franca a respeito da educação pública não apenas no Rio de Janeiro, mas em todo o país. A educação faliu no Brasil. Temos de reconhecer que a educação pública, nos últimos anos, vem sofrendo um esvaziamento de qualidade”, ressaltou.
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