Geral - Thursday, 31/5/2007 20:04 - 0 Comentários

Sem terras “invadem” Paço de Nova Iguaçu exigindo moradia

{mosimage} Manifestantes de diversos bairros afirmam não poder pagar aluguéis

JORNAL HORA H

Cerca de 600 famílias que ocuparam uma área pertencente à Prefeitura de Nova Iguaçu há cerca de 15 dias, lotaram ontem no final da manhã, o Paço Municipal para exigir moradia. Provenientes de diversos bairros como Posse, Jardim Iguaçu, Zumbi dos Palmares, Cobrex, Morro Agudo e Bandeirantes, e também de localidades de Belford Roxo, a famílias foram retiradas da área, mas retornaram.

Os sem terra alegam que não têm onde morar e não podem pagar aluguel, além disso, afirmam que são vítimas do governo que não apresenta políticas públicas que os beneficiem. A manicure Patrícia Alves, 33, afirma que está morando na casa de conhecidos por que não tem dinheiro para arcar com o aluguel de um imóvel. Com nove filhos e pouca renda, ela estava otimista quanto a conseguir um terreno na área invadida. “Não tenho para onde ir com meus filhos. Espero que o prefeito entenda nossa luta”, disse.

Uma comissão formada por cinco sem terra foi recebida por assessores do prefeito Lindberg Farias.

Balanço

O número de invasões de terra nos três primeiros anos do governo Lula superou em 55% o registrado nos 36 últimos meses da gestão tucana de Fernando Henrique Cardoso. No mesmo intervalo, a quantidade de assassinatos por conta de conflitos agrários avançou 63%. Um balanço divulgado pela Ouvidoria Agrária Nacional, aponta que o governo petista acumulou 770 invasões a imóveis rurais em todo o país entre janeiro de 2003 e dezembro de 2005. Nos três últimos anos de FHC (2000 a 2002), a ouvidoria registrou 497 ações desse tipo.

Especulação imobiliária

Os contrários à luta dos sem terra por um lote de terreno acreditam que a maioria dos participantes do movimento têm interesses ligados à especulação imobiliária. Já possuem imóvel próprio, e preferem acumular terrenos para depois negociá-los. Essa prática tem sido corriqueira, principalmente em áreas chamadas de invasões, cuja falta de infra-estrutura aumenta ainda mais os índices de pobreza extrema. “Eles fazem protesto por um pedaço de terra, mas poucos precisam. É só anarquia”, disse um funcionário público não quis se identificar’. “Muitos acham que podem chegar e tomar o terreno de quem comprou com muito sacrifício”, ironizou o comerciante Renato Oliveira, 56, de Queimados.

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