Notícias, Saúde - Friday, 8/6/2007 6:57 - 1 Comentário
Povão já não agüenta mais as crises em Nova Iguaçu
Dois protestos atacaram de frente a crise na saúde e na educação na cidade.
JORNAL HORA H
Duas manifestações atacaram ontem uma crise que vem atingindo as redes estadual de educação e municipal de saúde, de Nova Iguaçu. Na primeira, alunos e representantes de escolas do município fizeram um protesto simbólico em frente ao Ministério Público, com o objetivo de cobrar da Justiça uma solução para a falta de professores, que está deixando milhares de alunos sem aula.
De acordo com o Sepe (Sindicado Estadual dos Profissionais da Educação), que entrou com uma denúncia contra o Estado junto ao MP do Rio, a crise afeta diretamente cerca de 10 mil estudantes da 1ª a 5ª séries, que não assistem a uma aula desde o início do ano letivo, em 12 de fevereiro. “Esses números podem estar maquiados, pois há outras séries faltando uma ou duas disciplinas. Sabemos que esse furo na grade escolar vem sendo coberto por alguns diretores, mas nem sempre”, esclareceu a representante do Sepe, Lidiane Lobo. Ela acrescenta: “Estamos promovendo ações como os protestos, para incitar no governo a apresentação de soluções para os problemas que norteiam o Magistério”, afirmou.
Coordenadora convocada
A ação proposta pelo Sepe já surtiu os primeiros resultados. A Coordenadora Regional do Metropolitana I, de Nova Iguaçu, Cristina Penna, foi ouvida ontem à tarde, na 2ª Promotoria de Infância e Juventude do MP para prestar esclarecimentos sobre a crise. “É inadmissível que o governo ainda não tenha apresentado uma proposta decente para sairmos dessa crise, em detrimento dos alunos que estão fora das salas de aula”, concluiu Lidiane.
Os números dos problemas que atingem as escolas
Faltam 800 professores na rede estadual de Educação de Nova Iguaçu, onde estudam cerca de 100.875 alunos. 10 mil crianças estão sem aula desde 12 de fevereiro. O salário de um professor concursado é de R$ 431, valor que é acrescido de abono somente após completado um ano de efetivação.
O Sepe possui outras lutas em pauta: incorporação do abono, que hoje é calculado de acordo com o programa Nova Escola (o programa avalia as escolas com maior nota); convocação dos profissionais em tempo recorde para suprir a demanda, além de melhorias nas condições de trabalho.
PSF na Palhada é alvo de denúncias
Outro protesto contra a crise na saúde pública foi realizado por moradores em frente ao posto da Unidade Básica do bairro Palhada (foto). Na verdade o posto é um PSF (Programa de Saúde da Família), que já funciona há quatro anos na Rua Júlia Martins, 295, e possui cerca de 900 pessoas cadastradas. Segundo a população, que considera a unidade uma das piores da região, faltam médicos e os profissionais tratam com descaso quem procura atendimento no local.
Eles reclamam da demora na entrega das guias de encaminhamento para exames, e denunciam alguns funcionários que teriam trocado resultados desses exames enviados pelos laboratórios. A dona de casa Maria Mesquita de Lima, 32, estava revoltada. Desde março, ela tenta receber uma guia para fazer dois exames, mas não consegue. “Todos os dias venho aqui. Eles não têm nenhum interesse em procurar o documento, numa demonstração de falta de respeito para com a população”, disse ela.
De acordo com uma médica, que não quis se identificar, ao contrário do que a população acredita, o posto não possui atendimento de emergência, apenas ambulatorial, e são três médicos em sistema de rodízio. Ela admitiu, entretanto, que há deficiência no atendimento por que faltam agentes de saúde. “A situação é crítica. A gente faz o que pode. Às vezes vêm pessoas que não são cadastradas e de outros bairros, mas acabam sendo atendidas”, revelou.
Dívida da prefeitura
O imóvel onde funciona o PSF foi alugado pela Prefeitura de Nova Iguaçu. De acordo com o proprietário do prédio João Batista de Andrade, o município possui uma dívida de R$ 28 mil mais multas por atraso da locação. Por conta disso, João Batista move uma ação na Justiça para reaver o valor do aluguel.
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