Policial - Monday, 25/6/2007 18:51 - 0 Comentários

Nilópolis: sonho vira pesadelo

JORNAL HORA H

Se a batalha por uma vaga no mercado de trabalho já é bastante traumática para qualquer cidadão que esteja desempregado, o que dirá aqueles que se transformam em vítimas de golpes nos quais, além da perda de tempo e serviço prestado em vão, ainda acabam investindo o pouco que tem na eterna busca de uma vida melhor no futuro, mas se transformam em vítimas de golpes e acabam com grandes prejuízos.

Foi o que aconteceu com cerca de 2 mil pessoas que se dizem enganadas pelo promotor de eventos José Elenilson Bispo de Jesus, que teria prometido salários de até R$ 2 mil reais. Ele é acusado de contratar funcionários para a sua empresa, a Mercado Shadzar Feira e Eventos (nome fantasia), situada provisoriamente num salão de festas na Rua Wallace Paes Leme, nº 1.573, em Nilópolis, e não pagar a ninguém, após um tempo de até dois meses de trabalho e gastando dinheiro do próprio bolso.

No sábado, José Elenilson foi detido durante um evento em Mesquita e levado para a 54ª DP (Belford Roxo). Ao chegar a DP, um policial, ao vir José Elenilson, comentou: “Você de novo? Já é uma figurinha carimbada”.

LUCRO GRANDE

José Elenilson veiculava atrativos anúncios em jornais e/ou rádios para captar funcionários para a sua empresa, que promove shows musicais de vários tipos. Os candidatos, após a inscrição pela qual pagaram a taxa de R$ 2,00, eram chamados para entrevista e selecionados. Em seguida, pagavam R$ 10,00 por um exame médico e mais R$ 24,00 por um treinamento que durava três dias, para então serem contratados. “Eles lucravam R$ 36,00 de cada candidato, sempre que anunciavam. São cerca de 2 mil pessoas lesadas num prazo de dois meses”, acusou Edjoice A. Oliveira, 24, que trabalhou como recepcionista para o acusado.

Vítimas trocaram até de emprego

Uma das vítimas, Edjoice contou que trabalhou durante 37 dias para a empresa. “Eu ia todos os dias de Vila de Cava para Nilópolis, gastando o meu dinheiro. Acreditei nele e abri mão de uma oferta de trabalho, acreditando que me daria bem”, disse ela, mãe de um menino de 5 anos. “Eles iludiram a gente. Atrasei a mensalidade da escola de meu filho para gastar com passagem”.

Outra vítima do golpe, Mônica Vasconcelos da Silva, contou que se endividou pedindo dinheiro emprestado. “Eu estava trabalhando numa pensão em Marechal Hermes e larguei o emprego e me prejudiquei”, disse ela, que ganhava R$ 300,00 na pensão e esperava receber R$ 800,00 na empresa de eventos. O mesmo drama passou a nilopolitana Rosana Vitor de Melo, que largou o trabalho numa padaria em busca de melhor salário, mas acabou mergulhada em dívidas, como todas as vítimas, a exemplo de Michele Vasconcelos Magalhães, outra lesada pela empresa. “Gastamos até dinheiro comprando roupas adequadas ao trabalho”.

Humilhações durante o trabalho

Entre outras denúncias estariam ‘maus tratos’ contra os trabalhadores, ficavam muitas vezes sem alimentação na empresa ou nos eventos. Segundo eles, José Elenilson costumava humilhar os funcionários. “Vocês têm que fazer o que eu mando, passar fome se preciso, mas trabalhar até quando eu quiser. Senão vão para a rua”, dizia ele, segundo acusações.

Muitos dos trabalhadores estavam desconfiados da participação de outras pessoas na trama. “Tinha o pessoal da diretoria dele que se dizem tão vítimas como nós. Mas, como ele, sozinho, conseguiu enganar a todos? Acho impossível”, argumentou uma mulher.

Um desses membros da dita diretoria, uma mulher de nome Amélia, se defendeu. “Se eles conseguiram enganar até a uma advogada, o que dirá a mim, que só tenho o segundo grau. Também sou vítima”, comentou.

Investimento furado

Entre as vítimas está Mary Paula Franco Matos, que tomou prejuízo bem maior que os outros. Acreditando nas promessas de seu empregador, ela foi convencida a investir na empresa e emprestou R$ 2 mil, através de cheque de uma parente, para José Elenilson, segundo denúncias. Ele deveria cobrir a importância em dez dias, mas o cheque bateu sem fundo e, por conta disso, Mary Paula teria até sido expulsa de casa pelos pais. “Eles tinham uma conversa que nos convencia, nos faziam acreditar que tudo iria dar certo”, disse uma vítima.

Não tinha dinheiro para pagamento

O golpe foi descoberto na última sexta-feira, durante um dos eventos promovidos pela empresa, na Fazenda Futebol Clube, em Vilar dos Teles, São João de Meriti. Após trabalhar sem receber, um funcionário resolveu interpelar José Elenilton, que havia prometido pagar a todos após o show, mas acabou confessando que não tinha dinheiro, o que causou a revolta geral.

Denunciado, José Elenilson foi detido pela polícia no dia seguinte, durante evento no União Futebol Clube, em Mesquita, e prestou depoimento até a manhã de domingo na delegacia de Belford Roxo, de onde acabou liberado depois, para insatisfação das vítimas, que exigiam o dinheiro pelos dias trabalhados. Ontem, todos foram convocados para comparecer à 57ª DP (Nilópolis), e buscar os documentos que estavam retidos na empresa do acusado.

 



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Se a batalha por uma vaga no mercado de trabalho já é bastante traumática para qualquer cidadão que esteja desempregado, o que dirá aqueles que se transformam em vítimas de golpes nos quais, além da perda de tempo e serviço prestado em vão, ainda acabam investindo o pouco que tem na eterna busca de uma vida melhor no futuro, mas se transformam em vítimas de golpes e acabam com grandes prejuízos.

Foi o que aconteceu com cerca de 2 mil pessoas que se dizem enganadas pelo promotor de eventos José Elenilson Bispo de Jesus, que teria prometido salários de até R$ 2 mil reais. Ele é acusado de contratar funcionários para a sua empresa, a Mercado Shadzar Feira e Eventos (nome fantasia), situada provisoriamente num salão de festas na Rua Wallace Paes Leme, nº 1.573, em Nilópolis, e não pagar a ninguém, após um tempo de até dois meses de trabalho e gastando dinheiro do próprio bolso.

No sábado, José Elenilson foi detido durante um evento em Mesquita e levado para a 54ª DP (Belford Roxo). Ao chegar a DP, um policial, ao vir José Elenilson, comentou: “Você de novo? Já é uma figurinha carimbada”.

LUCRO GRANDE

José Elenilson veiculava atrativos anúncios em jornais e/ou rádios para captar funcionários para a sua empresa, que promove shows musicais de vários tipos. Os candidatos, após a inscrição pela qual pagaram a taxa de R$ 2,00, eram chamados para entrevista e selecionados. Em seguida, pagavam R$ 10,00 por um exame médico e mais R$ 24,00 por um treinamento que durava três dias, para então serem contratados. “Eles lucravam R$ 36,00 de cada candidato, sempre que anunciavam. São cerca de 2 mil pessoas lesadas num prazo de dois meses”, acusou Edjoice A. Oliveira, 24, que trabalhou como recepcionista para o acusado.

Vítimas trocaram até de emprego

Uma das vítimas, Edjoice contou que trabalhou durante 37 dias para a empresa. “Eu ia todos os dias de Vila de Cava para Nilópolis, gastando o meu dinheiro. Acreditei nele e abri mão de uma oferta de trabalho, acreditando que me daria bem”, disse ela, mãe de um menino de 5 anos. “Eles iludiram a gente. Atrasei a mensalidade da escola de meu filho para gastar com passagem”.

Outra vítima do golpe, Mônica Vasconcelos da Silva, contou que se endividou pedindo dinheiro emprestado. “Eu estava trabalhando numa pensão em Marechal Hermes e larguei o emprego e me prejudiquei”, disse ela, que ganhava R$ 300,00 na pensão e esperava receber R$ 800,00 na empresa de eventos. O mesmo drama passou a nilopolitana Rosana Vitor de Melo, que largou o trabalho numa padaria em busca de melhor salário, mas acabou mergulhada em dívidas, como todas as vítimas, a exemplo de Michele Vasconcelos Magalhães, outra lesada pela empresa. “Gastamos até dinheiro comprando roupas adequadas ao trabalho”.

Humilhações durante o trabalho

Entre outras denúncias estariam ‘maus tratos’ contra os trabalhadores, ficavam muitas vezes sem alimentação na empresa ou nos eventos. Segundo eles, José Elenilson costumava humilhar os funcionários. “Vocês têm que fazer o que eu mando, passar fome se preciso, mas trabalhar até quando eu quiser. Senão vão para a rua”, dizia ele, segundo acusações.

Muitos dos trabalhadores estavam desconfiados da participação de outras pessoas na trama. “Tinha o pessoal da diretoria dele que se dizem tão vítimas como nós. Mas, como ele, sozinho, conseguiu enganar a todos? Acho impossível”, argumentou uma mulher.

Um desses membros da dita diretoria, uma mulher de nome Amélia, se defendeu. “Se eles conseguiram enganar até a uma advogada, o que dirá a mim, que só tenho o segundo grau. Também sou vítima”, comentou.

Investimento furado

Entre as vítimas está Mary Paula Franco Matos, que tomou prejuízo bem maior que os outros. Acreditando nas promessas de seu empregador, ela foi convencida a investir na empresa e emprestou R$ 2 mil, através de cheque de uma parente, para José Elenilson, segundo denúncias. Ele deveria cobrir a importância em dez dias, mas o cheque bateu sem fundo e, por conta disso, Mary Paula teria até sido expulsa de casa pelos pais. “Eles tinham uma conversa que nos convencia, nos faziam acreditar que tudo iria dar certo”, disse uma vítima.

Não tinha dinheiro para pagamento

O golpe foi descoberto na última sexta-feira, durante um dos eventos promovidos pela empresa, na Fazenda Futebol Clube, em Vilar dos Teles, São João de Meriti. Após trabalhar sem receber, um funcionário resolveu interpelar José Elenilton, que havia prometido pagar a todos após o show, mas acabou confessando que não tinha dinheiro, o que causou a revolta geral.

Denunciado, José Elenilson foi detido pela polícia no dia seguinte, durante evento no União Futebol Clube, em Mesquita, e prestou depoimento até a manhã de domingo na delegacia de Belford Roxo, de onde acabou liberado depois, para insatisfação das vítimas, que exigiam o dinheiro pelos dias trabalhados. Ontem, todos foram convocados para comparecer à 57ª DP (Nilópolis), e buscar os documentos que estavam retidos na empresa do acusado.

 



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