Governo, Notícias, Transportes - Tuesday, 15/7/2008 8:59 - 0 Comentários

Corredor expresso da Avenida Brasil terá projeto estruturante

O Governo do Estado e o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) assinaram convênio que permitirá elaborar o projeto estruturante para a implementação do Corredor BRT Expresso Metropolitano do Rio de Janeiro, na Avenida Brasil, por meio de um empréstimo não reembolsável junto ao BID no valor de até US$ 1,5 milhão.

Embora o Governo do Estado não precise devolver esse dinheiro ao banco, ele entrará com um aporte de US$ 375 mil, complementando os US$ 1,875 mil estimados para o custo total da obra. Com a assinatura do convênio, que aconteceu no fim do mês de junho, o BID abrirá uma licitação internacional para escolher o consórcio que irá realizar o projeto, previsto para ser finalizado em 11 meses. O Corredor BRT é um projeto da Secretaria Estadual de Transportes.

Todo o desenvolvimento do projeto será acompanhado por uma comissão técnica formada pela Secretaria Estadual de Transportes, pela Secretaria Municipal de Transportes e pela Federação das Empresas de Transportes de Passageiros do Estado do Rio de Janeiro (Fetranspor). As discussões do detalhamento técnico vão acontecer dentro do âmbito da Agência Metropolitana de Transportes Urbanos (AMTU), entidade que congrega as 22 prefeituras da Região Metropolitana do Rio. Segundo o secretário de Transportes, Julio Lopes, todas as integrações dos ônibus circulares com os ônibus do BRT terão que ser analisadas tecnicamente para assegurar o bom funcionamento do sistema.

- O objetivo do projeto é realizar os estudos necessários para concluir a estruturação do corredor BRT Expresso Metropolitano. A princípio, trata-se da implantação de corredores de ônibus com origens no Trevo das Margaridas, no cruzamento da Avenida Brasil com a Rodovia Presidente Dutra, e na Rodovia Washington Luiz, próximo ao cruzamento com a Avenida Brasil, seguindo até o Terminal Américo Fontenelle, no centro do município do Rio. Essa via principal terá ligações com corredores de transportes que vão servir para alimentar o sistema – explicou Julio Lopes.

O projeto estruturante se subdivide em sete pontos. Um deles é a concepção da via, que definirá, por exemplo, onde a faixa exclusiva deverá começar e terminar, qual a largura dela, qual a velocidade em que os ônibus irão circular e se a segregação da via será feita por radares ou por muretas de contenção. Outro ponto é a concepção das paradas, que serão construídas ao longo do percurso, e das estações, que funcionarão como pontos de integração fora da via, recebendo os diversos ônibus que vão alimentar os ônibus do BRT através de passarelas. O estudo irá definir a modelagem das estações e das paradas.

A partir do projeto também será definido o tipo de ônibus que será utilizado no corredor expresso. Os tipos de ônibus irão definir as características das plataformas, uma vez que elas e os coletivos têm que estar no mesmo nível. Além disso, o projeto contará com um plano de operações e serviços, para que seja estabelecido o intervalo (headways) entre os ônibus que circularão no sistema, de forma que eles cheguem à estação junto com os ônibus alimentadores, atendendo, assim, a um número maior de passageiros. Esse cálculo evitará também a superlotação das estações e o atraso nas viagens.

Outros pontos a serem tratados no projeto são a tecnologia e o marketing. O sistema BRT demanda um Centro de Controle Operacional (CCO) para monitorar a localização exata de cada ônibus que circula no corredor expresso. As informações processadas no CCO serão transmitidas para os usuários através de painéis eletrônicos instalados nas paradas e estações. Desta forma, os passageiros vão poder programar o horário das suas viagens. O projeto também irá analisar como o mobiliário urbano que vai compor o sistema poderá ser aproveitado para campanhas de marketing. Os recursos seriam utilizados em melhorias no próprio sistema.

- Mais uma questão relevante do projeto é o sistema de arrecadação. O estudo definirá o preço das passagens em cada tipo de viagem de BRT. Pode ser preço único ou diferenciado a depender do trajeto. O sistema de cobrança será eletrônico. Diversas cidades do mundo já utilizam o sistema de BRT para organizar a circulação de ônibus em vias segregadas, dando mais agilidade ao tráfego nesses locais. A proposta do BRT é fazer desses ônibus expressos um tipo de metrô sobre rodas. O modelo só se aplica a trajetos longos, em que há demanda para grande quantidade de passageiros. Para isso, é necessário todo um aparato especial, desde ônibus e paradas adaptados até o sistema de monitoramento dos veículos – ressaltou o secretário de Transportes.



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