Mesquita
Educação, Mesquita, Notícias - Tuesday, July 15, 2008 8:42 - 0 Comments
Feira do Conhecimento encerra semestre na Baixada
Incentivar a criatividade e o senso prático dos alunos e estimular a interdisciplinaridade dentro do ambiente escolar. Foi com este objetivo que os professores do Colégio Estadual Brasil, localizado no bairro Santa Terezinha, em Mesquita, organizaram uma feira do conhecimento para marcar o fim do primeiro semestre letivo e expor trabalhos da disciplina de Projeto, incluída este ano na grade curricular da rede pública de ensino.
A nova cadeira estipula que professores de todas as matérias reservem um número determinado de aulas para desenvolver atividades práticas com as turmas, gerando maquetes, protótipos, cartazes e até peças de arte que serão objeto de avaliação.
2008: Ano Internacional do Planeta Terra foi o tema central escolhido pelas 40 turmas da nova disciplina obrigatória na escola de Mesquita, cujos trabalhos serão expostos até esta sexta-feira (18/07) para pais de alunos, funcionários e comunidade em geral, no pátio externo e no interior da unidade.
Para os estudantes, o uso racional da água e da energia elétrica, a poluição urbana e a reciclagem de materiais são assuntos na ordem do dia e que puderam ser aprofundados, sob diferentes óticas, com ajuda de todos os mestres. Nas aulas de Biologia e Matemática, por exemplo, surgiu a idéia de usar garrafas pet vazias, altamente recicláveis, para a construção de pufes, pulseiras, vassouras, porta-papel higiênico e um mosquitério para barrar o mosquito transmissor da dengue. Uma mistura de cola, sílica e fibras têxteis picotadas, trabalhada através de uma técnica japonesa de reciclagem, deu origem a um inusitado e ecológico papel de parede que agora decora uma das salas da administração do colégio.
– Usei a feira para dar conteúdos de proporção, regra de três e estatística, que foram úteis aos alunos na hora de montar gráficos ilustrando os índices da reciclagem no Brasil. Só demos a orientação inicial, e a escolha de como representar os resultados da pesquisa foi totalmente deles – explicou o professor de Matemática do Ensino Médio, Robson Figueiredo.
Já a colega Jacqueline Garcia, que leciona a mesma matéria para a 6ª série do Ensino Fundamental, direcionou o debate para o consumo inteligente de água.
– A turma fez entrevistas na Cedae, aprendeu como o gasto de água é aferido, quais os tipos de tarifas cobradas, e vai apresentar gráficos de setor e de barras mostrando o consumo em suas casas e o consumo geral da turma. Estudando números reais, eles ficaram bem mais motivados e ainda podem descobrir em que ponto das residências há maior desperdício – apontou Jacqueline.
Para a coordenadora pedagógica e diretora-adjunta do Colégio Estadual Brasil, Rosana Nobre, os professores assimilaram muito bem a mudança na grade curricular e estão obtendo bons resultados com projetos interdisciplinares.
– A disciplina Projeto é totalmente diferente da antiga Atividades Complementares, em que oferecíamos reforço de todas as matérias, só que sempre no nível teórico. Para facilitar o processo de adaptação, fizemos diversas reuniões de planejamento em que cada mestre colocou suas dificuldades e os planos de aula puderam ser revistos em conjunto. Todos se sentiram desafiados com a proposta e se ajudaram, trazendo material de casa para que os colegas de outras disciplinas pudessem aproveitar durante a produção da feira de conhecimento. Deu tudo certo – comemorou Rosana.
Além dos temas ambientais, assuntos ligados à natureza humana e à realidade da própria escola também estarão presentes nas atividades mostradas ao longo desta semana: uma peça teatral sobre violência doméstica, uma performance de rap pela paz e uma apresentação sobre a prática do bullying – agressão física ou moral, praticada de forma repetitiva e intencional por um ou mais estudantes – completam a programação.
Enquanto construía um pufe feito com 18 garrafas pet, barbante e fita adesiva, Joyce dos Santos, de 17 anos, demonstrou seu interesse pela questão ambiental e pela nova forma de estudar e aprender.
– Apesar de dar mais trabalho físico, aprender através de um projeto concreto é bem mais divertido, mas sinto que muita gente ainda vê a reciclagem de recipientes pet como uma simples forma de artesanato, de coisas bonitas. Agora, que estão construindo até casas feitas de pneu cheios de areia, é que começa a se ver o plástico como uma coisa verdadeiramente útil, que também serve para habitação. É preciso ter em mente que quase tudo se reconstrói, basta saber aproveitar – ensina a estudante do 3º ano do Ensino Médio.
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