Nilópolis oferece aulas de autodefesa pessoal para mulheres
A Casa da Luta Nilopolitana oferece a atividade toda sexta-feira, às 15h
Mulheres periféricas, negras ou pardas, na faixa dos 20 aos 40 anos de idade, são a maioria das vítimas dos assaltos ou dos crimes com agressões na capital do estado, segundo o estudo ‘Criminalidade e Espaço Urbano: as redes de relação entre crime, vítimas e localização no Rio de Janeiro’, elaborado por pesquisadores da Universidade Federal Fluminense e publicado em 2024.
Diante desse cenário, em Nilópolis, no mês dedicado às mulheres, um grupo delas decidiu aprender a Autodefesa Pessoal com o sensei Gessé Cintra, diretor da Casa da Luta Nilopolitana, no bairro Frigorífico, perto da Vila Olímpica da cidade. Todas as sextas-feiras, às 15h, elas estão lá firmes e fortes para descobrir como evitar ou agir diante de uma possível ameaça de assalto, por exemplo.
“As mulheres podem ser campeãs de qualquer arte marcial, mas não estão preparadas para ataques inesperados com armas de fogo ou arma branca (faca, tesoura etc.) Elas têm condições de aprender a se defender até com canetas ou alicates de cutícula”, ensinou o mestre, que é caixa-preta de caratê e já ministrou aulas, entre outros profissionais, para policiais militares no Centro de Formação e Aperfeiçoamento de Praças, na Sulacap.
Cristiane Moreira Silveira é praticante de artes marciais na Casa da Luta, mas isso não a impediu de se integrar ao grupo, que reúne 10 mulheres. “Morava em São Paulo e fui vítima de assalto várias vezes. A gente se sente muito impotente”, lembrou ela, que agora vive em Nilópolis.
Gessé Cintra começa a aula com um aquecimento, seguido de alongamento e ensino como elas devem proceder para se esquivar rapidamente quando um homem puser o braço em seus ombros. “A mulher precisa saber como recuar e avançar rapidamente, usando o peso do agressor”, afirmou, mostrando também um movimento em que a agredida pode cruzar os braços e se soltar do agressor.
Produtora cultural, Juliana Martins assistia à sua segunda aula e soube do Autodefesa quando estava na Vila Olímpica. “Fui assaltada duas vezes. A primeira de madrugada, indo para o ponto de ônibus na Via Light para pegar a condução do trabalho. Ele me ameaçou, não mostrou arma”, recordou.
Já na segunda vez, à tarde, ela voltava do emprego e descia a rua de casa. “Dois homens vieram na minha direção com arma e um deles apontou na direção do meu rosto. Levaram bolsa, celular e fugiram”, recordou com tristeza.
Em ambos os casos, Juliana garantiu que, mesmo que soubesse se defender, não reagiria. “A defesa pessoal vai além do corpo, da técnica física. Pra mim é a soma de duas gestões: uma boa base técnica e controle emocional”. A recomendação principal das autoridades de segurança é não reagir, porque o bem mais precioso é vida.
Gessé Cintra deu algumas dicas para as mulheres se protegerem no dia a dia. “Não ande perto do muro, dentro de um ônibus, grite por socorro. Se puder, carregue um spray de pimenta ou taser de choque. Fique atenta o tempo todo e perceba as ações das pessoas, porque o corpo fala”, enumerou.
Quem quiser saber mais, pode assistir ou participar de uma aula de demonstração de defesa pessoal com o sensei Gessé Cintra na Casa da Luta, terça-feira, dia 17 de março, a partir das 9h30. A atividade integra a programação do Mês da Mulher e é uma parceria com a Casa da Mulher Nilopolitana.
