Premiado espetáculo “Professor Samba – Uma Homenagem a Ismael Silva” realiza apresentação no SESC Nova Iguaçu
O espetáculo Professor Samba – Uma Homenagem a Ismael Silva estreou em 2024, em uma temporada de grande sucesso no Teatro de Arena do Sesc Copacabana. Em 2025 o sucesso de público e crítica se repetiu nas temporadas no Teatro Dulcina e Teatro Fashion Mall, e em uma circulação por várias localidades do Rio de Janeiro com apoio do projeto Giro Cultural da Funarj. Agora o musical faz circulação por 10 Unidades do SESC Rio, incluindo o SESC Nova Iguaçu.
A montagem saúda um dos nomes ilustres da música brasileira: Ismael Silva (1905 − 1978). Esse sambista carioca também é um dos fundadores da Escola de Samba Deixa Falar, em 1928 – a primeira agremiação desse tipo que, anos depois, se tornaria a tão conhecida Estácio de Sá.
A trama se desenvolve com o personagem apresentando ao público uma roda de samba, ambientada nas Esquinas do Bairro do Estácio e na Lapa das décadas de 20 a 50, recheada de muitas histórias, muita música e a boa “malandragem”, característica da boemia carioca, contando passagens da vida de Ismael passeando por fatos importantes da nossa cultura popular e do histórico cenário carioca da época.
Com autoria de Ana Velloso, que dirige o espetáculo ao lado de Édio Nunes, a peça venceu o prêmio APTR de Coreografia (Édio Nunes e Milton Filho), e conta com três atores que se revezam dando vida ao personagem-título: Édio Nunes, que foi indicado como melhor ator no Prêmio Shell, Jorge Maya e Milton Filho.
Com muita versatilidade, eles “reencarnam” Ismael Silva e ainda se desdobram em diversas outras figuras, contando a história do “Professor Samba”, transitando por fatos importantes da música e da sociedade brasileira, entre as décadas de 20 e 70, momento em que o Samba se renova, resiste, luta contra preconceitos e permanece vivo e forte, após sua saída da Casa da Tia Ciata (1854 – 1924), para conquistar o mundo.
“A transformação do samba, os blocos de carnaval, a virada para a criação da Escola de Samba, o pulsar da bateria, a criação da estrutura não só musical, mas de organização daqueles blocos, cordões, a evolução do maxixe para o samba, são sedimentações feitas a partir do envolvimento de Ismael e seus contemporâneos que transformaram o samba na potência do Rio, num estilo musical que transcende, que é estilo de vida, de cultura, e sociedade que desenha a figura da malandragem, da cabrocha, da cadência, do que se tornou símbolo não só do território fluminense, mas de um país. Assim como o futebol, o Brasil é a terra do samba a partir dele e de outros artistas representados na peça”, diz Édio Nunes.
“A cultura do povo preto que foi abraçada, mas que este mesmo povo sempre foi colocado de lado. Vidas e histórias como a dele, merecem ser contadas, cantadas e reverenciadas’’, completa o co-diretor.
O artista argumenta que a peça também é uma forma de chamar a atenção da sociedade para não esquecer de nomes tão importantes que ajudaram a transformar a cultura nacional, mesmo com o peso do estigma social e racial, batalhas travadas, ainda na atualidade.
“Professor Samba – Uma Homenagem a Ismael Silva conta a história de um homem, artista, negro, favelado, que mostra que tem talento e que pode ter o espaço dele por merecimento, ser valorizado. Algo não tão distante da realidade atual. É o nosso caso. Somos três artistas pretos, transitamos de maneira multifacetada pela arte. Eu, Jorge e Milton possuímos uma carreira extensa com mais trinta anos fazendo isso, e todos os dias temos que provar que podemos, que somos capazes, nada vem fácil, nós criamos, produzimos, colocamos espetáculos nos palcos, temos outros trabalhos além viver da arte para nos mantermos. Estamos sempre na corda bamba, lutando para manter-se de pé, com trabalho, com dignidade. Os aplausos acontecem, mas como os sambistas que interpretamos, vivemos a instabilidade, à parte. Para os artistas pretos, a luta é contínua. Ismael e os demais sambistas, artistas que vieram antes nós, já travavam essa batalha, de ser e viver da arte e deixar um legado. Defender a cultura e o pão de cada dia. Brigar para não cair no esquecimento’’, acrescenta Édio.
Para Ana Velloso, o espetáculo também tem como objetivo fazer uma reflexão sobre a descolonização dos corpos pretos. “Entendemos, Édio e eu, que precisávamos extrapolar o objetivo inicial, de contar a história do sambista do Estácio, que foi um dos criadores da primeira escola de samba. Queríamos traçar um paralelo entre passado, presente e futuro, discutir problemas humanos, enfatizar que corpos negros são corpos políticos, que não podem ser dissociados de sua realidade histórica, social e cultural. Para alcançar esse objetivo, inseri na dramaturgia traços da vida dos atores, que também compõem a cena, ajudando a contar a história de tantos ‘Ismaeis’, artistas brasileiros, negros, que dedicaram suas vidas à construção da nossa cultura”, pontua a autora e diretora.
Serviço:
* Teatro Sesc Nova Iguaçu
02 de maio (sábado), às 19h
Endereço: Rua Dom Adriano Hipólito, 10 – Moquetá, Nova Iguaçu
Valores:
*R$15,00 (inteira)
*R$7,50 (meia entrada para casos previstos por lei, estendida a professores e classe artística mediante apresentação de registro profissional e programa Mesa Brasil)
*R$ 7,50 (convênio)
*R$5,00 (credencial plena)
*Gratuito (crianças e adolescentes de até 16 anos e público PCG
