Greve dos rodoviários na cidade do Rio: o que muda para quem mora na Baixada Fluminense

Paralisação dos motoristas da capital começa nesta segunda-feira (29) por tempo indeterminado e afeta linhas que ligam municípios da região ao Rio de Janeiro.

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Os motoristas de ônibus da cidade do Rio de Janeiro iniciaram nesta segunda-feira (29) uma greve por tempo indeterminado. A paralisação, deflagrada pelo Sindicato dos Rodoviários após o fracasso nas negociações com o Rio Ônibus — entidade que representa as empresas concessionárias —, ameaça o deslocamento de milhares de trabalhadores, estudantes e usuários de serviços públicos que residem na Baixada Fluminense e precisam cruzar a fronteira com a capital diariamente.

A greve foi aprovada em assembleia na noite do domingo (28), na sede do sindicato em Rocha Miranda, Zona Norte do Rio, e começou à meia-noite. O impasse tem raízes em junho: no dia 11, a categoria rejeitou a proposta patronal de reajuste de 4,39% — equivalente ao IPCA acumulado até abril —, que representaria um aumento de R$ 150,15 para motoristas convencionais e de R$ 180,17 para os de veículos articulados.

Para os trabalhadores, o valor está muito aquém das necessidades reais. Entre as principais reivindicações estão salário de R$ 5 mil para condutores de articulados e de R$ 4 mil para os demais, além de auxílio-alimentação de R$ 1 mil, plano de saúde, jornada 5×2 e contratação por regime CLT para profissionais do BRT.

O que já foi determinado pela Justiça

Para limitar os impactos na população, o Tribunal Regional do Trabalho da 1ª Região (TRT-1) emitiu decisão liminar determinando que ao menos 50% da frota operacional de ônibus permaneça em circulação durante toda a paralisação, por linha e por itinerário. O descumprimento sujeita tanto o Sindicato dos Rodoviários quanto o Rio Ônibus ao pagamento de multa diária de R$ 50 mil. A Prefeitura do Rio informou que acionou o Judiciário pedindo a ampliação desse percentual mínimo.

Em relação ao BRT, a Mobi-Rio afirmou que os corredores TransBrasil, TransCarioca, TransOeste e TransOlímpica operarão normalmente. O sindicato, porém, contestou essa posição e também convocou os trabalhadores do BRT para aderir ao movimento.

Por que a Baixada Fluminense é especialmente afetada

Para os moradores da Baixada Fluminense, a greve tem peso particular. A região é marcada por uma dependência histórica do transporte coletivo: grande parte da população trabalha em municípios do Rio de Janeiro, especialmente no Centro e nas zonas Norte e Sul da capital, e depende de linhas intermunicipais e municipais para cruzar essa fronteira todo dia.

Diferentemente de outras regiões, onde o metrô e o BRT atendem de forma mais capilar, na Baixada o ônibus convencional ainda é o modal dominante para a maioria dos trajetos de integração. A redução da frota à metade determinada pela Justiça significa, na prática, superlotação nas linhas remanescentes, maior tempo de espera e dificuldade de acesso a empregos, hospitais, escolas e serviços públicos.

O que fazer durante a paralisação

Diante do cenário de incerteza — que pode se prolongar enquanto não houver acordo entre as partes —, os passageiros da Baixada devem adotar algumas precauções. A primeira recomendação é sair de casa mais cedo, já que mesmo com metade da frota em operação as filas e o tempo de espera devem aumentar consideravelmente.

O sistema de trens da SuperVia e o metrô do Rio anunciaram reforço operacional para absorver parte da demanda extra; consultar os aplicativos dessas concessionárias antes de sair é fundamental.

Para trajetos internos nos municípios da Baixada Fluminense, onde a greve não afeta diretamente as linhas municipais estaduais, a situação pode ser mais estável — mas a superlotação nos terminais de integração pode criar gargalos mesmo nessas rotas. Acompanhar as atualizações do Centro de Operações Rio, do Rio Ônibus e do Sindicato dos Rodoviários nas redes sociais é a forma mais rápida de saber o status real das linhas ao longo do dia.

SAIBA MAIS | Reivindicações dos rodoviários

  • Salário de R$ 5 mil para motoristas de articulados e R$ 4 mil para demais
  • Auxílio-alimentação de R$ 1 mil
  • Plano de saúde e odontológico
  • Jornada de trabalho em escala 5×2
  • Fim dos contratos temporários no BRT, com contratação via CLT
  • Manutenção do passe livre para a categoria
  • Indenização pelo intervalo de almoço de 30 minutos
  • Mudança da data-base salarial para 1º de março

Com informações de: Sindicato dos Rodoviários do Rio de Janeiro, Rio Ônibus, TRT-1, Mobi-Rio, CNN Brasil, Band News FM.

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