Alterações na tireoide: investigar cedo pode salvar vidas

Maioria dos nódulos é benigno, mas diagnóstico precoce garante até 95% de chance de cura, nos casos de câncer de tireoide

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Um pequeno caroço no pescoço, muitas vezes sem dor e sem qualquer outro sintoma, pode passar despercebido por anos. Embora a maioria dos nódulos na tireoide seja benigno, alguns podem indicar câncer e, por isso, merecem investigação. A boa notícia é que, quando descoberto precocemente, o câncer de tireoide tem cerca de 95% de chance de cura.

Foi justamente esse o alerta reforçado pelo cirurgião de cabeça e pescoço do Instituto Estadual de Oncologia da Baixada (Onco Baixada), Edson Pires. Ele explica que a doença costuma ser silenciosa e, na maioria das vezes, é descoberta por acaso. “O câncer de tireoide é uma lesão pouco sintomática. Muitas vezes, a pessoa só percebe um nódulo quando ele aumenta de tamanho ou alguém chama a atenção para um volume diferente no pescoço”, explica.

O especialista orienta que as pessoas observem a região anterior do pescoço, principalmente durante a deglutição. Um simples olhar no espelho enquanto bebe um copo de água pode ajudar a identificar alterações maiores. Os nódulos menores,  normalmente, só são detectados em exames de imagem.

A presença de um caroço não significa, necessariamente, câncer. De acordo com o médico Edson Pires, 90% a 95% dos nódulos são benignos. A investigação começa com a ultrassonografia e, quando necessário, é realizada uma punção aspirativa por agulha fina, guiada no próprio exame de imagem. O procedimento permite avaliar as características do nódulo e definir se há necessidade de cirurgia, ou apenas um acompanhamento.

“O diagnóstico precoce, praticamente, nos dá a certeza da cura. Em muitos casos, o tratamento é uma cirurgia simples e evita que a doença evolua para formas mais avançadas”, destaca o médico.

Alguns fatores aumentam o risco para o câncer de tireoide. O histórico familiar merece atenção especial, principalmente entre parentes de primeiro grau. A doença também é mais frequente em mulheres, que apresentam uma incidência entre três a cinco vezes maior do que os homens. Outro fator importante é a exposição à radiação, especialmente em pessoas que trabalham em ambientes com fontes radioativas, sem a proteção adequada.

Mesmo quando o nódulo é considerado benigno, o acompanhamento médico continua sendo fundamental. Dependendo das características da lesão, o especialista poderá recomendar apenas observação periódica por ultrassonografia, evitando procedimentos desnecessários.

Quando o diagnóstico de câncer é confirmado, o tratamento é definido conforme o tipo e o tamanho do tumor. “Em alguns casos, é possível retirar apenas parte da tireoide. Em outros, é indicada a retirada completa da glândula. Depois, é  necessário fazer um tratamento com iodo radioativo, para eliminar possíveis células remanescentes”, explica o médico.

Foi esse o caminho percorrido pela aposentada Creuliceia de Souza Honorato, de 68 anos. Após investigar uma alteração na tireoide, ela fez a cirurgia no Onco Baixada, na última sexta-feira (10/7). O caso reforça a importância de não ignorar alterações no pescoço e de buscar avaliação médica o quanto antes, aumentando as chances de diagnóstico precoce e um tratamento bem-sucedido.

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