Exposição gratuita no Sesc Caxias une ancestralidade e games
Criada por Eduardo Salvino, “Salvíficos Movimento #2 – Fábula”, aproxima público de herança afrodiaspórica a partir dos jogos
O Brasil possui a maior população negra fora do continente africano e isso se reflete nas artes brasileiras. Prova disso é a exposição gratuita “Salvíficos Movimento #2 – Fábula”, de Eduardo Salvino, que estreia no Sesc Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, neste sábado, dia 27 de junho, às 9h. Na abertura, atividades gratuitas, mediante inscrição neste link, para todo o público: contação de histórias, oficinas e bate-papo com os artistas. Entre os convidados, o pesquisador Macedo Griot, o rapper Marcão Baixada, e os críticos Larissa Macedo e João Simões, além do criador da exposição, Eduardo Salvino.
A programação do primeiro dia inicia com a oficina de contação de histórias, “Descobrindo a Oralidade”, por Macedo Griot, que é produtor cultural e pesquisador. Em seguida, é a vez da oficina “Criação de música afro-diaspórica”, com o rapper e produtor musical Marcão Baixada. A partir das 11h, acontece a oficina de criação do jogo “O que é? Adinkras”, com o artista Eduardo Salvino. Finalizando a programação, acontece um bate-papo com os integrantes da exposição.
“Salvíficos Movimento #2 – Fábula” é uma instalação interativa que combina arte, tecnologia e memória afrodiaspórica. Por meio de um QR Code integrado à obra, o público acessa, pelo celular, um jogo online que utiliza inteligência artificial para propor reflexões sobre identidade, ancestralidade e os impactos dos algoritmos racistas na representação de pessoas negras.
“A imagem capturada não se refere apenas à uma fotografia analógica, mas à parâmetros informacionais, tornada código, via inteligência artificial. Daí a importância de disponibilizar a interação com esta obra, e problematizar a insistente opressão étnica, discriminações e preconceitos, o que cria possibilidades de contrapontos à narrativa única, e, outros possíveis padrões imagéticos”, disserta Eduardo Salvino, artista multimídia e criador da exposição.
Na exposição existe uma série de jogos baseados em diferentes reinos, como Angola, Congo, Malungo e Moçambique. Em busca de um resgate da ancestralidade por diferentes tecnologias, com jogos que versam sobre a ancestralidade e a diáspora africana. Embora lembrem, na estética, os jogos de azar online, a ideia destas ferramentas audiovisuais é trazer para o jogador problematizações em relação à negritude.
“À deriva nesse espaço, contando com escolhas e consequências, ele poderá explorá‑los, jogar, se divertir, aprender e exercitar suas próprias sínteses visuais e sonoras; o jogador, mesmo sem preocupação com desempenho, poderá navegar e apreciar mundos, alcançar objetivos, interagir ou mesmo evadir‑se. As ações do jogo são máquinas de materialidade, expressão e desejo, sendo a mecânica, também, mensagem desse jogo. Daí o jogo dentro do jogo para esse audiovisual expandido”, explica Eduardo Salvino.
A experiência se desdobra em uma narrativa audiovisual interativa, na qual cada participante percorre diferentes “reinos” inspirados em territórios históricos africanos. A exposição é fruto da tese de doutorado de Eduardo Salvino, com o título “Territórios em suspensão: contexto e mediação em intervenções contracoloniais”, defendida em 2024 na Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA/USP). Por meio da obra, o artista busca expandir a temática ao alcançar um público fora do ambiente acadêmico formal, enquanto mistura audiovisual e jogos digitais, permitindo que o público participe ativamente da experiência.
“Acreditamos que com a interação com a obra, o público possa ter outras compreensões desse universo artístico-tecnológico emergente, se atualizando sobre o dinâmico espaço informacional. Apostamos ainda na possibilidade de leituras singulares que nos atravessam enquanto artista e público, componentes propulsores de novas relações poéticas dialógicas, onde se produz e se é produzido”, avalia Eduardo Salvino.
A obra também dialoga com a arquitetura local e propõe reflexões sobre como a arte é produzida, divulgada e recebida pela sociedade. A circulação do projeto ganha ainda mais importância diante da existência de jogos que reproduzem conteúdos racistas e criminosos, reforçando a necessidade de promover debates críticos por meio da arte. A exposição atual é uma sequência da “Salvíficos movimento #1 – ensaio mnemônico”, que aconteceu em 2022, também no Sesc Duque de Caxias, em que o público interagia com um jogo de arcade, a versão atual traz a imersão como ponto de partida.
Conheça as oficinas
Descobrindo a Oralidade, com Macedo Griot: A oficina busca preservar memórias coletivas, valorizar a ancestralidade e capacitar participantes na elaboração de histórias orais. Ela aborda a importância da oralidade e suas diferenças em relação à memória individual, ensina a planejar entrevistas, selecionar temas e depoentes, além de criar roteiros e realizar pesquisa prévia. Num terceiro momento ela ressalta a escuta ativa, com prática de entrevista em duplas. Por fim destaca a oralidade coletiva para fortalecer comunidades e segmentos sociais.
Horário: 9h às 11h
Faixa etária: 12 anos
Vagas: 20
“Criação de música afro-diaspórica”, com Marcão Baixada: O músico e produtor abre o processo criativo da trilha sonora de Salvíficos 2, apresentando o fluxo de trabalho no REAPER (software de produção de áudio). A oficina percorre a escolha de ferramentas livres, como plugins e instrumentos virtuais gratuitos, a pesquisa de timbres e a construção de famílias rítmicas que deram corpo à trilha sonora do projeto.
Horário: 9h às 11h
Faixa etária: 14 anos
Vagas: 15
“O que é? Adinkras”, com Eduardo Salvino: Serão confeccionados por cada participante, dois tabuleiros, cada um contendo as imagens e informações de símbolos Adinkras, ideogramas originários da África Ocidental, e suas respectivas cartas para adivinhação, também com símbolos Adinkra. Serão 18 cards para fixação nos dois tabuleiros e mais nove cards soltos, com interrogação no verso, para serem adivinhados no jogo. Ao mesmo tempo, com ajuda do pirógrafo, serão feitos os estojos, para guardar componentes do jogo, para que cada participante possa levá-lo consigo.
Horário: 11h às 13h
Faixa etária: 12 anos (crianças acompanhadas pelo responsável).
Vagas: 20
Conheça a programação da abertura da exposição
9h às 11h: oficina de contação de histórias “Descobrindo a Oralidade”, com Macedo Griot;
9h às 11h: oficina “Criação de música afro-diaspórica”, com Marcão Baixada;
11h às 13h: oficina de criação do jogo “O que é? Adinkras”, com Eduardo Salvino;
14h30 às 16h30: bate-papo com os integrantes da exposição.
Serviço
Exposição “Salvíficos Movimento #2 – Fábula”
Data: 27 de junho a 23 de agosto de 2026 (terça-feira à sábado)
Horário: 9h às 16h
Inscrição: https://bit.ly/Salvíficos-Inscriçõeseinformações
Local: Sesc Duque de Caxias
Endereço: Rua General Argolo, nº 47 – Jardim 25 de agosto – Duque de Caxias – Rio de Janeiro/RJ
Classificação etária: livre
Agendamento para visitas mediadas e informações sobre a exposição: sescpulsarduquedecaxias@gmail.com
Telefone (apenas assuntos ligados à exposição): 21 3659-8377
