“Destino de Zénin”: espetáculo que nasce na Baixada Fluminense se apresenta na Tijuca

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“Destino de Zénin”: espetáculo que nasce na Baixada Fluminense se apresenta na Tijuca

Entre traços, lembranças e desenhos em movimento, o espetáculo Destino de Zénin convida o público a mergulhar nas memórias de , um jovem que revisita as linhas do próprio destino — da infância à vida adulta — para compreender quem é e quem pode se tornar. Escrito e interpretado por Rafa Domi, com direção artística de Rohan Baruck, o monólogo mistura narrativa teatral e projeção mapeada, transformando o palco em uma espécie de história em quadrinhos viva, onde cada cena é um quadro que pulsa entre o real e o imaginário.

Inspirado em uma geração que cresceu sob o peso da exposição e da solidão, o texto atravessa temas como autodescoberta, sexualidade, bullying, aceitação familiar e luto, construindo um retrato sensível e corajoso de um corpo em formação. A encenação propõe uma jornada estética e emocional sobre o amadurecimento e o direito de existir — especialmente para jovens LGBTQIAPN+ que ainda buscam se reconhecer em meio às sombras do preconceito.

“Zénin é um espelho da juventude que sobrevive a cada dia em um país que ainda insiste em apagar suas existências. Ele é poético e brutal, delicado e contraditório. Eu quis desenhar no palco uma linha que não fosse reta — uma linha que se embaraça, como a vida — e que o público pudesse se ver dentro desse emaranhado de histórias”, explica o diretor Rohan Baruck.

A dramaturgia nasce da própria experiência de Rafa Domi, jovem ator e escritor da Baixada Fluminense que, desde 2017, vem trilhando sua formação artística entre teatro e música. Sua escrita parte da vivência pessoal para alcançar o coletivo, em um relato que combina humor, dor e afeto. Em Destino de Zénin, Domi se multiplica em personagens que habitam suas lembranças: os irmãos, os pais, os amores, as ausências.

“Escrevi Destino de Zénin pensando nos jovens que, como eu, um dia se sentiram invisíveis — os que têm medo de dizer quem são, de amar, de existir. Quis fazer um espetáculo que não fosse sobre sofrimento, mas sobre coragem. Porque se o destino traça linhas, o teatro é o lugar onde a gente aprende a redesenhá-las”, afirma Rafa Domi, que também idealiza o projeto.

O espetáculo foi concebido para dialogar com o público jovem-adolescente (16 a 24 anos), faixa etária raramente contemplada na cena teatral. Segundo a direção, Destino de Zénin é também uma proposta pedagógica e afetiva, que busca criar um espaço de escuta, acolhimento e reflexão.

Com projeções mapeadas que interagem com o corpo do ator e com o cenário, a encenação transforma o palco em uma paisagem emocional em constante mutação. As imagens se sobrepõem às falas, revelando camadas internas do personagem e ampliando o diálogo entre teatro e tecnologia.

Todas as apresentações contam com intérprete de LIBRAS integrada à cena e com acolhimento especializado a pessoas com deficiência, oferecendo fones abafadores e óculos escuros, além de materiais gráficos acessíveis.

“A acessibilidade não é um apêndice do projeto, é parte da sua dramaturgia. O espetáculo fala sobre ver e ser visto — e isso só é real quando todo mundo pode ter acesso e se reconhecer”, destaca Baruck.

O universo visual da montagem — concebido por Leandro Fazolla — aproxima-se da linguagem dos quadrinhos e animações, recurso que estrutura o espetáculo como um diário ilustrado em constante transformação. As cenas de Zé se revelam entre rabiscos, traços e cores que ganham movimento e vida, acompanhando o crescimento do personagem e suas descobertas.

Entre risos e lágrimas, Destino de Zénin se afirma como um manifesto cênico pela sensibilidade, pela representatividade e pela reconstrução da esperança.

“Não existe fio invisível que dite o destino da nossa vida. Quem faz isso somos nós”, diz Zé em cena — em uma das falas que sintetiza a força poética e política da obra.

 

Ficha Técnica

Idealizador, Dramaturgo e Ator: Rafa Domi

Diretor Artístico e Diretor de Produção: Rohan Baruck

Direção de Arte: Leandro Fazolla

Iluminação: Ana Luzia Molinari de Simoni

Direção Musical: Wallace Valadão

Produção Executiva: Valéria Arias

Assistente de Produção: Ítalo Leal

Intérprete de LIBRAS: Diana Dantas

Assistente de Produção (Acolhimento PCD): Fran Dutra

Preparação Corporal: Beatriz Lopes

Operador de Luz: Guilherme Gelain

Operadora de Projeção: Gabriela Estolano

Operadora de Som: Gérsica Telles

Gestão de Redes Sociais: Alice Pirillo

 

Serviço

Teatro Municipal Ziembinski – Rua Heitor Beltrão, 57 – Tijuca, Rio de Janeiro
Temporada: 18 de novembro a 03 de dezembro de 2025
Terças e quartas, às 20h
Entrada gratuita
Acessibilidade: Intérprete de LIBRAS em todas as sessões e acolhimento PCD.
Classificação indicativa: 12 anos | Duração: 60 minutos

 

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