Trilogia das águas fluminenses da cineasta nilopolitana Catu Rizo está disponível online de forma gratuita

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Trilogia das águas fluminenses da cineasta nilopolitana Catu Rizo está disponível online de forma gratuita

Desde 2018, a cineasta nilopolitana Catu Rizo se engajou em uma pesquisa independente e artística sobre os rios da Baixada fluminenses. Fruto deste trabalho, nasceu a trilogia das águas. Dois desses filmes: o curta ficcional “Memória das águas” e o longa documental  “Guapi-Macacu, o filme” estão disponíveis online e de forma gratuita.

“Guapi-Macacu, o filme” é o primeiro longa-metragem documental da cineasta e estreou no 29º Festival do filme Documentário e Etnográfico de Belo Horizonte, o FórumDocBH no Cine Humberto Mauro. O filme se encontra online no site do Festival até o dia 30 de novembro. A obra propõe uma escuta sensível das águas da bacia do Guapi-Macacu, a única de rios preservados da Baixada Fluminense,  em um fluxo de contracorrente — da foz à nascente do Rio Macacu. Catu embarcou em um processo de escuta, encontrando pessoas que habitam e se relacionam com esse ecossistema, como Russo – morador antigo de Itaboraí e fiscal na APA de Guapimirim; Didino, pescador de uma prática ancestral que é pesca de curral no fundo da Baía da Guanabara; Lucimar, pescadora e liderança local em Piedade; Val, liderança quilombola no Quilombo do Feital e membros de sua família (Dona Mirena, Nem e Ágatha) e Péricles, educador ambiental no projeto Guapiaçu. Aproximando-se de várias formas de conviver, imaginar e se relacionar com as águas.

O longa ainda conta com a participação especial da atriz veterana Mariah da Penha que dá vida a personagem Ominá.  Em vez de seguir uma linha narrativa convencional, a obra de forma poética articula um sistema de interconexões, onde cada personagem representa fragmentos de uma história mais ampla sobre o que antes era o Reconcânvo da Guanabara, frequentemente invisibilizada dentro das narrativas hegemônicas e oficiais.  Com consultoria do historiador e doutor Philippe Moreira, o documentário  apresenta um panorama da intensa desfiguração ecológica e social que a região da Baixada sofreu ao longo do século XX. Em boa parte empreendida pela Comissão de Saneamento Básico, na Era Vargas.

A obra contou com apoio institucional do Arquivo Nacional com a cessão de importantes imagens, onde podemos sentir o impacto da retilinização e canalização dos rios, da construção de ferrovias, do abandono das antigas vilas e da falta de preservação dos sítios arqueológicos que hoje se tornaram ruínas.

A memória dos rios está em disputa e o filme imagina e conhece junto com cada personagem essa outra baixada fluminense, em que as águas seguem vivas e fazem parte do sustento de centenas de famílias que dependem deste ecossistema para seu bem-viver.  O projeto só foi possível com o financiamento da Lei Aldir Blanc e da Lei Paulo Gustavo, sendo fruto de uma parceria entre a Estamira Produção Cultural da produtora cultural baixadense Giordana Moreira e do selo audiovisual,  Catu Filmes da própria cineasta, Catu Rizo.

Já o  curta “Memória das águas” estreou no 27º Festival do Rio em outubro deste ano e está compondo a mostra COP30: Futuros possíveis. O filme está disponível na plataforma Itaú Cultural Play até o dia 04 de dezembro. O curta é ambientado em Nilópolis com muitas pinceladas de real. Dalva, protagonista da narrativa, interpretada pela atriz  Simone Cerqueira –  está em busca da nascente do rio Sarapuí. O filme mescla imaginação e verdade, evocando temas urgentes como o racismo ambiental, a urbanização predatória, a crise hídrica e o direito à memória.

A produção baixadense nunca esteve tão em alta. A cineasta faz parte do movimento Baixada Filma e se dedica há mais de dez anos para a realização de filmes com forte vínculo com o seu território de forma inventiva, poética e sonhadora.

Sobre a diretora

Catu Rizo é cineasta e fundadora do selo @CatuFilmes. Natural de Nilópolis, foi docente temporária da Faculdade de Artes do Paraná (FAP/UNESPAR) e desenvolve projetos audiovisuais autorais que perpassam o sonho, memória e cotidiano e território, a partir da Baixada Fluminense, atuando com cinema, arte e educação.

Acompanhe novidades sobre o filme — como making-of, exibições, festivais e o — no perfil: @CatuFilmes.

Sobre os filmes

“Guapi-Macacu, o filme” (2025)

Guapi Macacu 20210128 0819201

Direção: Catu Rizo

Longa-metragem – Documentário

85 min – RJ/Brasil

Classificação indicativa: livre

Sinopse: Guapi-Macacu, o filme é uma obra que propõe uma escuta sensível das águas da bacia do rio Guapi-Macacu, no Rio de Janeiro. Narrado por Catu, cineasta baixadense, o filme segue um fluxo de contracorrente – da foz à nascente – atravessando encontros com pescadores, quilombolas, guarda-parques e lideranças locais. Conhecemos um outro lado da Baía de Guanabara e dos rios que nela desaguam. Entre memórias apagadas e saberes ancestrais, o filme reimagina uma outra Baixada Fluminense, em que as águas tudo conectava.

Link: https://www.forumdoc.org.br/filmes/guapi-macacu-o-filme

 

“Memória das águas” (2025)

Roteiro e Direção: Catu Rizo

Curta-metragem – Ficção

18 min – Nilópolis, RJ/Brasil.

Classificação indicativa: 12 anos

Sinopse: Dalva é uma antropóloga nilopolitana que está em busca da nascente do Sarapuí, um rio que atravessa várias cidades da Baixada Fluminense. Mergulhada em sonhos e memória, ela descobre que essas águas esquecidas ainda pulsam com vida.

Link do festival do Rio: https://www.festivaldorio.com.br/br/filmes/memoria-das-aguas

https://www.itauculturalplay.com.br/

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