Baixada Fluminense: a diferença do suburbano para o periférico

Baixada Fluminense… “Baixada”… Baixo em relação ao quê? Por que ser carioca, ainda mais da gema, sempre foi mais atrativo, ainda que não ficassem muito claros os motivos? Por que as letras de música, até mesmo as de rap e funk, falam de um Rio de Janeiro que nunca vivi?
Aí noto a diferença do suburbano para o periférico.
Sub-urbano ainda é urbano, não? Meio abaixo dos parâmetros enaltecidos, mas ainda tá lá. E o periférico? Tá longe do centro? Mas qual é o centro?
Me peguei a vida toda nessas nuances entre um e o outro, usando as perspectivas outras, que não poderiam ser através do meu olhar, porque são de pessoas que ainda que fossem da Baixada, não são de uma única Baixada.
Percebo traços do urbano, sim… Quem não curtiu os shows do Charlie Brown Jr., NX Zero, Nosso Sentimento nos antigos aniversários de comemoração da emancipação de Queimados de Nova Iguaçu? Digno de line-up do Rock In Rio. Quando construíram um centro comercial com praça de alimentação e faculdade, foi um marco.
Mas tem muito do rural… Até poucos anos atrás tinha um ponto pras charretes que levavam o pessoal do Centro até o posto lá pra dentro do Roncador. A feira de domingo então, entretenimento de comer um chouriço ouvindo forró a ganhar uns trocados catando caranguejo em mangue pra vender vivo, fresco.
O meu olhar da Baixada Fluminense, sendo fluminense, é construído através do que vivencio nela, através dos sentidos, das falas, do cotidiano construído dia após dia, seja com experiências boas ou ruins.
Existe um termo chamado Topofilia que se refere ao sentimento de pertencimento, afetividade, identidade com um lugar. Topofobia é quando esse sentimento é adverso, de medo, aversão. Na primeira aula do minicurso “Comunicação Digital na Baixada Fluminense”, foi mencionado pelo Wesley Brasil a seguinte frase: “O lance é que tu só ama o que tu conhece“. E acho que o amor, longe de ser só referente ao belo, ao bom, está para além do bem e do mal… Está em amar as qualidades e os defeitos. E não desejar ser uma coisa que não se é. Sendo assim, se enxergar mais no fluminense do que no carioca.
Opinião
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