Retomada do Projeto Iguaçu entra em pauta: Baixada Fluminense pode ter novas obras contra enchentes

Retomada do Projeto Iguaçu entra em pauta: Baixada Fluminense pode ter novas obras contra enchentes

A Baixada Fluminense enfrenta desafios históricos com enchentes e alagamentos. A retomada do Projeto Iguaçu, discutida recentemente entre MPRJ, INEA, IRM e representantes locais, busca avançar soluções para o problema.

Encontro discute a continuidade do Projeto Iguaçu

O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) reuniu-se nesta quarta-feira (02/04) com representantes do Instituto Estadual do Ambiente (INEA), do Instituto Rio Metrópole (IRM) e dos municípios de Belford Roxo, Duque de Caxias e Nova Iguaçu para debater a retomada do Projeto Iguaçu.

Criado para melhorar a qualidade ambiental dos rios Sarapuí, Botas e Iguaçu, o Projeto Iguaçu também tem como objetivo evitar enchentes e alagamentos na região.

No encontro, foram apresentados subprojetos municipais, desafios técnicos e a necessidade de novas licitações para execução das obras. O MPRJ propôs três medidas principais: o mapeamento e publicidade das iniciativas, a criação de um grupo de trabalho para monitoramento e a implantação de uma plataforma digital para acompanhamento do projeto.

Uma nova reunião será realizada no próximo mês para dar continuidade às discussões.

Um projeto marcado por interrupções

Desde os anos 1990, o Projeto Iguaçu passou por diversas fases e paralisações. Concebido para mitigar as inundações na Baixada Fluminense, ele previa a drenagem de rios, contenção de encostas e urbanização das margens fluviais. Além disso, incluía a criação de parques inundáveis, um modelo eficaz de controle de cheias.

A primeira proposta foi elaborada em 1996 pela COPPE/UFRJ, com recursos do Banco Mundial. Em 2007, houve uma nova tentativa de execução do projeto, com previsão de 25 intervenções em seis cidades da Baixada. O investimento inicial foi de R$ 270 milhões, incluindo R$ 75 milhões para reassentamento de famílias.

Apesar de avanços entre 2007 e 2014, quando foram investidos R$ 450 milhões, as obras foram interrompidas. Como resultado, as enchentes continuam afetando a população.

Impacto das chuvas na Baixada Fluminense

Atualmente, o Projeto Iguaçu representa um investimento de R$ 733 milhões e promete gerar 12 mil empregos. Segundo o PactoRJ, desde 2021, foram aplicados mais de R$ 4 bilhões em drenagem, dragagem e contenção de encostas em várias cidades fluminenses.

As chuvas continuam impactando milhares de pessoas na região. Somente em janeiro de 2024, mais de 100 mil pessoas foram afetadas, com 27 mil desalojados e 927 desabrigados. De acordo com o Observatório do Clima, entre 2021 e 2022, 2,2 milhões de pessoas foram atingidas por temporais no estado, sendo 81% na Região Metropolitana.

Além das perdas humanas e materiais, os danos estruturais somam mais de R$ 280 milhões, sendo R$ 100 milhões apenas na Região Metropolitana. O levantamento também aponta que 925 mil pessoas vivem em áreas de risco no estado, das quais 796 mil estão na região metropolitana.

O que esperar do futuro

A retomada do Projeto Iguaçu reacende a esperança de soluções definitivas para os problemas históricos da Baixada Fluminense. No entanto, a população acompanha com cautela as promessas, esperando que as obras não sejam novamente interrompidas.

A criação de mecanismos de transparência e participação popular será essencial para garantir que os investimentos resultem em melhorias reais para as comunidades afetadas pelas enchentes.

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