Em um bairro de Duque de Caxias, uma construção do século XVIII guarda séculos de história colonial brasileira. A Casa de Vivenda do Engenho São Bento do Aguassú, erguida entre 1754 e 1757, é tombada pelo IPHAN desde 1957 e é descrita por pesquisadores como o único exemplar relativamente completo de arquitetura colonial canavieira ainda de pé em todo o Recôncavo da Guanabara. Hoje abriga o Museu Vivo do São Bento.

O que é a Casa de Vivenda do Engenho São Bento do Aguassú

A Casa de Vivenda do Engenho São Bento do Aguassú é um casarão colonial do século XVIII localizado no bairro São Bento, em Duque de Caxias. Tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) em 1957, o conjunto formado pela casa grande e pela chapel adjacente é considerado o maior patrimônio histórico edificado da Baixada Fluminense. Atualmente, o imóvel abriga o Museu Vivo do São Bento, o Centro de Referência Patrimonial e Histórico do Município de Duque de Caxias (CRPH), o Centro de Pesquisa, Memória e História da Educação da Baixada Fluminense (Cepemhed) e o Arquivo Público Municipal.

Onde fica a Casa de Vivenda

O imóvel está localizado na Rua Benjamin da Rocha Júnior, nº 6, no bairro Campos Elísios, Duque de Caxias — RJ. O tombamento pelo IPHAN (Processo nº 564-T-1957, Livro do Tombo de Belas Artes, Inscrição nº 439, de 10/07/1957) abrange a casa grande, a chapel e a área de terreno num raio de 100 metros das edificações.

História do Engenho São Bento do Aguassú

A origem das terras remonta a 1565, quando Cristóvão Monteiro, lugar-tenente de Estácio de Sá, recebeu uma sesmaria na região como recompensa por sua participação na luta pela expulsão dos franceses que resultou na fundação de São Sebastião do Rio de Janeiro. Em 1591, essas terras passaram à administração da Ordem de São Bento, que iniciou o processo de colonização do Vale do Rio Iguaçu. A fazenda foi consolidada como engenho de açúcar pelos monges beneditinos ao longo dos séculos seguintes.

A Casa de Vivenda foi construída entre 1754 e 1757, anexa à chapel, para servir de alojamento para sacerdotes. O conjunto arquitetônico é classificado como barroco do século XVIII. O alpendre com colunas toscanas da casa grande é apontado por pesquisadores como elemento modelar: teria servido de referência para as casas de engenho com alpendre disseminadas por toda a Guanabara no século XVIII.

Em 1921, parte da fazenda passou a abrigar uma colônia agrícola. Em 1957, o IPHAN tombou o conjunto. Em 1993, a chapel desabou e hoje se encontra em ruínas. A casa grande, apesar de não estar em condições ideais de conservação, permanece de pé e em funcionamento.

O Museu Vivo do São Bento e o que visitar

O Museu Vivo do São Bento, instalado na Casa de Vivenda, abriga exposições que apresentam a trajetória histórica da Fazenda São Bento e da Baixada Fluminense ao longo dos séculos XVII, XVIII e XIX — período em que a região funcionava como área de passagem da produção aurífera e cafeeira. O conjunto também guarda um sítio arqueológico com sambaquis — depósitos de ostras, ossos e objetos indígenas — que registram a presença dos índios tupinambás na região há cerca de 2,5 mil anos.

Ao lado da Casa de Vivenda está a Capela de Nossa Senhora do Rosário dos Homens de Cor, outro elemento histórico significativo do conjunto.

Qual a importância do patrimônio para Duque de Caxias e para a Baixada Fluminense

A Casa de Vivenda do Engenho São Bento do Aguassú é o mais antigo núcleo de colonização ainda visível às margens do Rio Iguaçu e um dos registros mais completos da arquitetura colonial açucareira do sudeste brasileiro. Sua preservação, ainda que parcial, permite compreender como a Baixada Fluminense foi ocupada e explorada desde os primórdios da colonização portuguesa — antes de se tornar a região de alta densidade urbana que é hoje.

Fontes: Museu Vivo do São Bento (museuvivodosaobento.com.br); iPatrimônio (ipatrimonio.org); Jornal Ponto de Partida; Academia.edu – Sistemas Construtivos no Museu Vivo do São Bento; HPIP; Câmara Municipal de Duque de Caxias (cmdc.rj.gov.br).