Em um bairro de São João de Meriti, dois cemitérios guardam mais de um século de história da comunidade judaica no Rio de Janeiro. Os cemitérios israelitas de Vila Rosali — o Velho e o Novo — abrigam desde 1921 o legado de uma das principais necrópoles da tradição judaica no Brasil, e dentro do mais antigo está o que a Wikipédia e diversas fontes descrevem como o mais antigo Memorial do Holocausto das Américas.

O que são os Cemitérios Israelitas de Vila Rosali

Os Cemitérios Israelitas de Vila Rosali são dois espaços funerários judaicos administrados pela Chevra Kadisha do Rio de Janeiro — associação religiosa responsável pelos ritos fúnebres da comunidade judaica —, localizados no bairro Vila Rosali, em São João de Meriti. São conhecidos como Cemitério Velho e Cemitério Novo, situados praticamente um de frente para o outro na mesma rua.

Onde ficam os cemitérios

Os dois cemitérios estão na Rua da Matriz, no bairro Vila Rosali, em São João de Meriti. O Cemitério Velho tem o endereço na Rua da Matriz, 1276, no Centro.

História dos cemitérios

O Cemitério Velho foi fundado em outubro de 1920, quando a Chevra Kadisha adquiriu um terreno junto à linha férrea, então localizado no distrito de São João de Meriti. A inauguração se deu em 1921 e o local tornou-se o cemitério judaico mais antigo administrado pela instituição no Rio de Janeiro.

A escolha do terreno em São João de Meriti não foi aleatória: grande parte da coletividade judaica vivia à época na Baixada Fluminense, em especial no atual município de Nilópolis, e a proximidade da linha férrea facilitava o acesso. A origem do projeto remonta à Sinagoga Beth Jacob, que tentou obter terreno junto à prefeitura do Rio de Janeiro, mas foi recusada, pois já existia um cemitério judaico municipal em Inhaúma. A solução foi adquirir, por meio da prefeitura de Nova Iguaçu, o terreno em Vila Rosali, então distrito de São João de Meriti, onde foi criada a Sociedade do Cemitério Israelita do Rio de Janeiro em 1920.

Décadas depois, com a superlotação do Cemitério Velho, a Chevra Kadisha adquiriu um segundo terreno em 1945, mas o Cemitério Novo só passou a funcionar efetivamente em 1967. Ambos encontram-se atualmente superlotados, sendo raros os sepultamentos nos dias de hoje.

O Memorial do Holocausto

Dentro do Cemitério Velho está o que é descrito em múltiplas fontes como o mais antigo Memorial do Holocausto das Américas. Em uma urna no interior do memorial encontram-se barras de sabão resgatadas de campos de extermínio nazistas, supostamente confeccionadas com a gordura corporal de prisioneiros — objeto de forte carga simbólica para a memória do genocídio.

Qual a importância dos cemitérios para São João de Meriti e para a Baixada Fluminense

A presença desses cemitérios em São João de Meriti documenta uma história pouco conhecida da Baixada Fluminense: a de uma comunidade judaica significativa que habitou a região desde as primeiras décadas do século XX. O local representa, portanto, não apenas um espaço de sepultamento, mas também um patrimônio cultural e histórico que conecta o município à diáspora judaica no Brasil.

Entre os nomes sepultados no Cemitério Velho estão a atriz Dina Sfat e o empresário Adolpho Bloch, o que reforça o alcance da comunidade judaica que utilizou o espaço ao longo das décadas.

Tradições preservadas no local

Os cemitérios seguem os preceitos ortodoxos do judaísmo conforme o Shulchan Aruch. Uma das tradições mais visíveis é o hábito de deixar pedras sobre os túmulos — em vez de flores —, costume que simboliza a continuidade da memória e a ligação entre os vivos e os mortos. Os sepultamentos seguem o princípio de igualdade e simplicidade, sem adornos extravagantes, em respeito à tradição judaica.

Fontes: Wikipédia – Cemitério Israelita de Vila Rosali; Chevra Kadisha RJ (chevrakadisha.com.br); Blog Cultura Hebraica; Roitblog; IBGE.