Antes de ser sinônimo de enchentes e de degradação ambiental, o Rio Iguaçu foi a principal via de transporte e abastecimento da Baixada Fluminense por séculos. Seus portos movimentaram o ouro das Minas Gerais, alimentaram fazendas e engenhos e estruturaram o que viria a ser o território de Duque de Caxias. Hoje, o rio atravessa municípios da Baixada numa condição de severa degradação ambiental, ao mesmo tempo em que projetos de recuperação tentam reverter décadas de poluição.

O que é o Rio Iguaçu na Baixada Fluminense

O Rio Iguaçu que banha a Baixada Fluminense é um rio de planície que integra a sub-bacia Iguaçu-Sarapuí, parte da Bacia Hidrográfica da Baía de Guanabara. Não deve ser confundido com o Rio Iguaçu paranaense, famoso pelas Cataratas do Iguaçu. O rio fluminense nasce na Serra do Mar e percorre os municípios da Baixada — incluindo Duque de Caxias — antes de desaguar na Baía de Guanabara. A sub-bacia Iguaçu-Sarapuí abrange uma área de drenagem de 716,72 km² e inclui completa ou parcialmente os municípios de Belford Roxo, Mesquita, Rio de Janeiro, Nilópolis, São João de Meriti, Nova Iguaçu e Duque de Caxias.

O Rio Iguaçu na história de Duque de Caxias e da Baixada Fluminense

O Rio Iguaçu foi fundamental para a ocupação colonial do território que hoje é Duque de Caxias. O povoamento da região data do século XVI, quando colonos se concentraram nos vales dos rios Meriti, Sarapuí, Iguaçu e Estrela. A partir do século XVIII, com a abertura do Caminho Novo do Pilar — rota para o escoamento do ouro das Minas Gerais —, o Rio Iguaçu e seus portos (Estrela, Pilar e Iguaçu) tornaram-se pontos estratégicos de transbordo entre o transporte fluvial e as rotas terrestres em direção ao interior.

Com a chegada das ferrovias no século XIX, o rio perdeu progressivamente sua função de via de transporte. A Estrada de Ferro D. Pedro II e, posteriormente, a The Rio de Janeiro Northern Railway desviaram o fluxo de mercadorias dos portos fluviais para os trilhos, levando os portos do Iguaçu a um declínio que coincidiu com o abandono das obras de saneamento, a obstrução dos cursos d’água pelo desmatamento e a formação de pântanos — que tornaram a região praticamente inabitável por décadas, até as obras de saneamento do início do século XX.

A degradação ambiental do Rio Iguaçu

O processo de urbanização acelerada da Baixada Fluminense a partir da década de 1960 — impulsionado em parte pela instalação da REDUC — teve impacto direto na qualidade das águas do Rio Iguaçu. O lançamento de esgotos domésticos sem tratamento, o descarte de resíduos sólidos e a presença de indústrias no entorno transformaram o rio num dos mais poluídos do estado do Rio de Janeiro. A proximidade da REDUC com áreas de manguezal às margens do rio agravou o problema, com episódios documentados de derramamento de óleo.

As enchentes são outro impacto histórico do Rio Iguaçu sobre os municípios da Baixada. A ocupação irregular das margens e a impermeabilização do solo urbano reduziram a capacidade de absorção das cheias, tornando os alagamentos um problema recorrente para moradores de Duque de Caxias e municípios vizinhos.

O Projeto Iguaçu e os esforços de recuperação

Em 2015, a Prefeitura de Duque de Caxias lançou o Projeto Iguaçu, uma iniciativa de prevenção de enchentes e recuperação ambiental na Bacia dos Rios Iguaçu-Sarapuí. O projeto foi desenvolvido com base em Plano Diretor elaborado pela COPPE/UFRJ e conta com investimentos de 160 milhões de reais, em parceria entre os governos federal, estadual e municipal. As ações previstas incluem obras de macrodrenagem, recuperação de áreas de amortecimento (pôlderes), requalificação da mesodrenagem urbana, plantio de vegetação ciliar, reflorestamento de nascentes, renaturalização de cursos d’água, desobstrução de pontes e travessias e realocação de moradias em áreas de risco. O projeto também criou a Área de Proteção Ambiental (APA) do Alto Iguaçu.

Qual a importância do Rio Iguaçu para entender a Baixada Fluminense

A história do Rio Iguaçu é, em grande medida, a história da própria Baixada Fluminense: de território fértil e estratégico na época colonial, à degradação trazida pela urbanização sem planejamento do século XX, até os esforços contemporâneos de recuperação ambiental. Compreender o rio é compreender como a região foi ocupada, explorada e negligenciada — e como seus moradores continuam convivendo com as consequências desse processo.

Fontes: Prefeitura de Duque de Caxias (duquedecaxias.rj.gov.br); Wikipédia – Duque de Caxias (RJ); Brava Baixada (bravabaixada.com.br); Amigos do Instituto Histórico de Duque de Caxias (amigosinstitutohistoricodc.com.br); Revista FT – Sub-bacia Iguaçu-Sarapuí; BaixadaFacil.com.br; Iniciação Científica UNIVAP (inicepg.univap.br).