Ônibus do Rio deixam de aceitar dinheiro em 30 de maio; moradores da Baixada precisam se adaptar ao cartão Jaé preto ou QR Code
Mudança afeta diretamente quem usa o Bilhete Único Margaridas para trabalhar na capital. Procon-RJ e Sedcon já acionaram a Justiça para tentar barrar a medida, alegando impacto sobre populações vulneráveis
Faltam menos de seis dias para uma das maiores mudanças no transporte público do Rio de Janeiro das últimas décadas. A partir do próximo sábado, 30 de maio, os ônibus municipais da capital deixarão de aceitar pagamento em dinheiro. Para os moradores da Baixada Fluminense que trabalham ou estudam no Rio, a mudança exige atenção imediata.
A medida foi anunciada pela Secretaria Municipal de Transportes (SMTR) no início do mês. Pela nova regra, o acesso aos coletivos da cidade só poderá ser feito pelo cartão Jaé — preferencialmente o modelo preto — ou pelo Riocard, este último exclusivo para quem utiliza o Bilhete Único Intermunicipal (BUI).
O que muda para quem vem da Baixada
Para o trabalhador da Baixada, o ponto mais crítico da mudança envolve o Bilhete Único Margaridas (BUM) — o benefício tarifário voltado especificamente a quem usa o Terminal BRT Metropolitano para acessar a capital. Com o BUM, o passageiro paga R$ 5,00 e tem direito a até quatro viagens entre BRT, VLT e ônibus municipais em um período de até 20 horas — o equivalente a dois deslocamentos de ida e volta no mesmo dia.
A grande mudança é que, a partir do dia 30, as integrações do BUM só serão aceitas pelo cartão Jaé preto ou por QR Code gerado pelo aplicativo. O cartão avulso verde do sistema Jaé, que alguns passageiros ainda utilizam, deixará de ser aceito para integrações tarifárias — embora continue válido para pagamento de viagens individuais, sem integração.
Quem ainda usa o cartão verde para integrar viagens precisa agir rápido: a orientação oficial é baixar o aplicativo Jaé, criar uma conta digital vinculada ao CPF e solicitar o cartão preto ou passar a usar o QR Code. Quem tiver dificuldade com o aplicativo pode buscar um posto físico de atendimento do sistema.
As recargas em dinheiro continuarão disponíveis em cerca de 2 mil pontos credenciados, nas máquinas de autoatendimento do Jaé, nas bilheterias dos terminais do BRT e pelo próprio aplicativo — via Pix ou cartão de crédito, com liberação imediata.
Procon e Sedcon vão à Justiça
A medida não passou sem resistência. A Secretaria de Estado de Defesa do Consumidor (Sedcon) e o Procon-RJ ajuizaram uma ação com pedido de tutela de urgência contra a CBD Bilhete Digital S.A. e o Município do Rio de Janeiro, buscando suspender ou ao menos adiar a mudança.
Na ação, os órgãos argumentam que a transição foi imposta de maneira abrupta, sem campanha de conscientização robusta e sem estrutura de atendimento suficiente para toda a população. A preocupação central é com os grupos mais vulneráveis: idosos, pessoas sem acesso à internet, cidadãos desbancarizados, trabalhadores informais, turistas, adolescentes e pessoas em situação de vulnerabilidade social.
Os órgãos também apontam que já identificaram aumento significativo na procura pelos postos de atendimento do Jaé, com registros de filas e dificuldades dos consumidores para obter os cartões antes do prazo.
Na ação, a Sedcon e o Procon pedem que a Justiça determine: a manutenção do pagamento em dinheiro nos ônibus; a suspensão da exclusividade do cartão Jaé e do QR Code para integrações; a elaboração de um plano de contingência com campanha ampla de informação; prazo mínimo de 30 dias de adaptação após comunicação efetiva à população; e reforço na estrutura de atendimento aos usuários.
Especialistas em direito do consumidor também questionam a legalidade da medida. Segundo o Procon, recusar o pagamento em moeda corrente é uma prática abusiva, já que cédulas e moedas são os únicos meios de pagamento com curso legal obrigatório no Brasil. A decisão judicial ainda não foi publicada.
O que a Prefeitura do Rio argumenta
Para justificar a mudança, a Prefeitura do Rio alega que a medida moderniza o sistema, reduz o tempo de embarque, elimina o manuseio de dinheiro pelos motoristas e aumenta a segurança dentro dos ônibus. A gestão municipal também aponta o combate a fraudes e a maior transparência na arrecadação tarifária como benefícios da transição.
Segundo o prefeito Eduardo Cavalieri, apenas 9% dos usuários dos ônibus cariocas ainda pagam em dinheiro. E apenas 3% dos usuários do Jaé utilizam o cartão verde para integrações — um contingente que, na visão da gestão, pode ser atendido pelos canais digitais disponíveis.
O que fazer antes do dia 30
Se você usa o Bilhete Único Margaridas ou qualquer outra integração tarifária e ainda não tem o cartão Jaé preto, veja o que precisa fazer:
- Baixe o aplicativo Jaé no celular e crie uma conta com seu CPF
- Solicite o cartão preto pelo aplicativo ou nos postos de atendimento (há pontos nas estações de BRT, Metrô e VLT)
- Verifique se seus créditos estão atualizados
- Caso tenha o cartão verde, lembre-se: ele continua válido para viagens únicas, mas não para integrações a partir do dia 30
O prazo é curto. A recomendação é não deixar para a última hora.
Fontes: Correio da Manhã, Baixada na Web, Diário do Rio, Voz das Comunidades, Portal O São Gonçalo, Super Rádio Tupi