Hospital Universitário Pedro Ernesto tem atendimento especializado em doenças do neurônio motor
Ambulatório reúne equipe multidisciplinar para diagnóstico, tratamento e acompanhamento de casos complexos, como a Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA)
Pacientes com doenças do neurônio motor, entre elas a Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA), encontram atendimento especializado no Ambulatório de Doenças Neuromusculares do Hospital Universitário Pedro Ernesto (HUPE/Uerj). Referência no acompanhamento de casos complexos, o serviço reúne estrutura para investigação diagnóstica, tratamento e assistência multidisciplinar, contribuindo para retardar a evolução da doença e melhorar a qualidade de vida dos pacientes.
O acesso ao ambulatório ocorre por meio do Sistema Estadual de Regulação, a partir do encaminhamento feito por médicos da Atenção Primária, como os das clínicas da família. Atualmente, o serviço possui 130 pacientes cadastrados, dos quais cerca de 90 permanecem em acompanhamento regular.O núcleo concentra os casos de maior complexidade encaminhados pela rede pública.
As doenças do neurônio motor formam um grupo de enfermidades neurológicas progressivas que comprometem as células responsáveis pelo controle dos movimentos voluntários, entre elas, a Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA), forma mais frequente na idade adulta e também uma das mais graves.
Por integrarem o grupo das doenças raras, essas enfermidades contam com poucos centros especializados no Sistema Único de Saúde (SUS), tornando fundamental o diagnóstico precoce e o encaminhamento para serviços capacitados. O reconhecimento rápido dos sintomas possibilita iniciar o tratamento em fases mais precoces, retardando a progressão da doença e preservando a autonomia do paciente por mais tempo.
Assistência multidisciplinar amplia qualidade de vida
Embora ainda não exista cura para a maioria das doenças do neurônio motor, o acompanhamento realizado no Hupe envolve neurologistas, fisioterapeutas, fonoaudiólogos e outros profissionais, com foco no controle dos sintomas, na manutenção da funcionalidade e na melhoria da qualidade de vida.
Medicamentos como o Riluzol, incorporado ao SUS para o tratamento da ELA, ajudam a retardar a evolução da doença. Somado à assistência multiprofissional, o tratamento reduz complicações, preserva funções importantes e oferece suporte contínuo aos pacientes e seus familiares.
O diagnóstico é essencialmente clínico, podendo ser complementado por exames como a eletroneuromiografia, que avalia o funcionamento dos nervos e músculos, e a ressonância magnética, utilizada principalmente para excluir outras doenças com sintomas semelhantes, como compressões da medula espinhal.
A conscientização da população sobre essas doenças também é considerada essencial para favorecer o diagnóstico precoce e ampliar o acesso ao tratamento especializado.
Principais doenças do neurônio motor
O termo Doença do Neurônio Motor engloba diferentes síndromes clínicas, que variam conforme o tipo de neurônio afetado:
– Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA): forma mais comum e grave. Compromete neurônios motores superiores e inferiores, provocando fraqueza, atrofia e rigidez muscular.
– Atrofia Muscular Progressiva (AMP): afeta predominantemente os neurônios motores inferiores, causando perda de força e redução da massa muscular.
– Esclerose Lateral Primária (ELP): acomete os neurônios motores superiores, levando principalmente à rigidez muscular (espasticidade) e fraqueza dos membros.
– Paralisia Bulbar Progressiva (PBP): compromete os neurônios responsáveis pelos músculos da fala, da mastigação e da deglutição, dificultando essas funções.