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“Mãe Baiana” promove arte, memória e diálogo em apresentação gratuita em Duque de Caxias

Além do espetáculo, o público participará de um bate-papo com a professora Helena Theodoro e o elenco, em uma atividade voltada à valorização da cultura e da ancestralidade negra.

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“Mãe Baiana” promove arte, memória e diálogo em apresentação gratuita em Duque de Caxias

"Mãe Baiana" promove arte, memória e diálogo em apresentação gratuita em Duque de Caxias. Foto: Valmyr Ferreira @valmyrferreira.

Quando as pessoas são lembradas, elas não morrem”, disse a filósofa, escritora e professora Helena Theodoro nas conversas com as autoras Thais Pontes e Renata Andrade, que escreveram a dramaturgia de “Mãe baiana”, com direção de Luiz Antônio Pilar. Após passar por festivais internacionais e levar pela primeira vez a atriz Dja Marthins, de 83 anos, aos palcos de Portugal e Cabo Verde, o espetáculo retorna ao Rio de Janeiro. Após passagem pelo teatro Glauce Rocha com casa lotada,“Mãe baiana” fará uma apresentação gratuita no próximo sábado (27), às 19h, no Teatro Sesi Firjan de Caxias e roda de conversa.

O projeto foi contemplado no edital Fluxos Fluminenses 2024 e tem o patrocínio do Governo Federal, Ministério da Cultura, Governo do Estado do Rio de Janeiro, Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa do Rio de Janeiro, através da Política Nacional Aldir Blanc.

No palco, Dja Marthins e Luiza Loroza interpretam avó e neta que, ao viver um momento de luto em família, veem a relação entre as duas renascer. A peça, que joga luz sobre o papel poderoso e fundamental da mulher negra na sociedade. Para o diretor Luiz Antônio Pilar, a concepção de “Mãe baiana” nasce da proposta do texto. Nele, estão os conflitos de gerações e de conceitos entre uma jovem mulher de seus 20 e poucos anos e sua avó, octogenária.

O espetáculo faz parte da “Trilogia Matriarcas”, ao lado de “Mãe de santo” e “Mãe preta”, idealizado pela atriz Vilma Melo e o produtor cultural Bruno Mariozz. A peça parte da perda de um filho, fato que Helena Theodoro viveu quando seu menino de quatro anos morreu afogado. Apesar da premissa triste, as autoras preocuparam-se em não pesar o espetáculo, até porque a personagem da avó – assim como a autora – sofre, mas entende a morte. No início, a neta não compreende, mas passa a entender ao longo da história.

Todo o pensamento da filósofa e primeira doutora preta do Brasil Helena Theodoro passa por suas experiências pessoais e afirma o princípio feminino preto com todas as suas possibilidades de existir, conservar, transformar e melhorar o mundo.

“Esse espetáculo é sobre relações – sobre relação de avó e neta, relação com a morte, com a cozinha, com a religião. A gente vai se transformando nos nossos, a gente vai se vendo… Escrever com a Renata Andrade foi um doce exercício de memórias, em que fomos lembrando histórias das nossas famílias”, conta Thais Pontes, que recorda as conversas com a avó durante as madrugadas na cozinha de casa.

“Um conflito que não significa necessariamente violência ou brigas, mas as diferenças de ideias de tempos que já passaram. São dois mundos diferentes que hoje estão no mesmo espaço”, analisa o diretor, que fala também sobre a perspectiva racial da montagem. “Me ressinto com a dramaturgia nacional que quando vai falar do negro, principalmente o urbano, é sempre no conflito da violência. A questão nunca é contraditória ou está na diferença de perspectiva. É sempre no jovem negro matando ou morrendo, da família desconstruída, da falta de afeto. Em ‘Mãe baiana’ o conflito está inserido numa sociedade cotidiana e na família geracional, constituída por mulheres, convivendo no mesmo espaço”, finaliza Pilar.

O cenário criado por Renata Mota e Igor Liberato é composto por ambientes de uma casa, divididos entre sala, cozinha e quintal, onde avó e neta conversam, cozinham e recordam as histórias da família. No quintal, são usados dez quilos de terra e de sementes de girassol.

Serviço

Espetáculo: “Mãe baiana” + Roda de Conversa com Helena Theodoro e elenco

Apresentações: 27 junho

Dias e horários: sábado às 19h

Local: Teatro Firjan Sesi Caxias

Endereço: Rua Artur Neiva, 100 – 25 de Agosto – Caxias

Entrada: Gratuita

Ingresso: Retira na plataforma Sympla

Classificação indicativa: 12 anos

Duração: 60 min

Redes sociais: @maebaiana.teatro

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