Quatro tremores em menos de 24 horas no litoral do Rio assustam moradores; especialistas descartam risco para a Baixada Fluminense
Série de abalos sísmicos foi detectada na costa de Maricá entre quinta (21) e sexta-feira (22). Maior tremor teve magnitude 3,3. Sismólogo explica o fenômeno e garante: não há motivo para preocupação
a crack in the asphalt of a road
Uma sequência incomum de tremores de terra registrada no litoral fluminense na última semana gerou apreensão nas redes sociais e levou muita gente da Baixada Fluminense a se perguntar: isso pode chegar aqui? A resposta dos especialistas é tranquilizadora — mas o fenômeno é real e merece ser entendido.
Entre a madrugada de quinta-feira (21) e a tarde de sexta-feira (22) de maio, a Rede Sismográfica Brasileira (RSBR) detectou quatro tremores na região litorânea próxima a Maricá, no litoral do Rio de Janeiro. O maior deles, registrado às 5h31 de quinta-feira, teve magnitude 3,3 na escala Richter. O segundo principal ocorreu na manhã de sexta, com magnitude 3,1. Os outros dois, registrados na tarde de sexta, tiveram magnitudes de 2,0 e 1,6 — classificados pelos sismólogos como eventos secundários, ou “réplicas”, dos dois abalos principais.
Apesar da sequência ter chamado atenção, não houve nenhum relato de moradores que tenham sentido os tremores em terra firme. Isso porque todos os eventos ocorreram em alto-mar, distantes da costa.
Por que tremores acontecem no litoral do Rio?
O sismólogo Gilberto Leite, do Observatório Nacional e da Rede Sismográfica Brasileira (RSBR), explicou que o fenômeno não é novidade — apenas ficou mais visível desta vez pela sequência rápida de abalos.
“Esses eventos acontecem por pressões ou tensões na placa tectônica, que se acumulam na crosta terrestre e eventualmente são liberadas na forma de tremor”, disse o especialista. Segundo ele, a margem sudeste do Brasil é considerada a principal zona sísmica offshore do país, onde pequenos tremores ocorrem com relativa frequência. O Brasil, por estar localizado no centro da Placa Sul-Americana — uma região tectonicamente estável — raramente registra sismos de grande magnitude, diferente de países como Chile ou Peru, que estão em zonas de colisão entre placas.
“O Brasil registra pequenos tremores de terra com certa frequência, especialmente devido às tensões tectônicas que atuam na crosta terrestre. Na maioria dos casos, esses abalos têm baixa magnitude e não chegam a ser sentidos”, completou Leite.
Tremor ou terremoto? Entenda a diferença
A palavra “terremoto” circulou bastante nas redes sociais nos últimos dias, mas os especialistas fazem uma distinção técnica importante: o que o Rio registrou foram tremores, não terremotos. Segundo o Serviço Geológico do Brasil (SGB), o termo “terremoto” é reservado a eventos de maior magnitude e com ruptura extensa na crosta — como o sismo de 6,9 que sacudiu o Chile na mesma semana e cujas ondas foram sentidas em prédios altos de São Paulo. O que aconteceu no litoral fluminense está numa categoria muito abaixo disso.
E a Baixada Fluminense?
Para os moradores da Baixada, a boa notícia é que a região está relativamente distante do ponto onde os tremores foram registrados. O epicentro ficou próximo a Maricá, no Leste Metropolitano do Rio, a mais de 60 quilômetros de Nova Iguaçu e a distâncias ainda maiores de Duque de Caxias, Belford Roxo e São João de Meriti.
Além disso, os tremores ocorreram em alto-mar, e não há registro de atividade sísmica expressiva sob o solo da Baixada Fluminense. As construções na região, como em toda a engenharia civil brasileira moderna, são projetadas com redundância estrutural para suportar impactos dinâmicos, o que torna o risco de danos ainda mais remoto.
“Em princípio não há motivo para preocupação. Esses eventos estão dentro do esperado”, garantiu o sismólogo Gilberto Leite.
Não foi a primeira vez — e não será a última
Este não é um fenômeno isolado. No ano passado, outro tremor foi registrado próximo à Baía de Guanabara e também passou despercebido pela população. O que tornou a série desta semana mais notada foi justamente a repetição em curto espaço de tempo — quatro eventos em menos de 24 horas, todos monitorados e catalogados pelo Observatório Nacional com apoio do Centro de Sismologia da Universidade de São Paulo (USP).
A RSBR conta com estações de monitoramento espalhadas pelo país que registram qualquer variação sísmica em tempo real. Os dados são validados e publicados de forma transparente, o que permite à imprensa e à população acompanhar os eventos.
