Site da Baixada relembra os principais assuntos de 2020
O ano marcado pela pandemia e o “novo normal” que entrou para a história vai muito além da luta da humanidade contra o Coronavirus. É inevitável deixar este assunto de lado: foram mais de 200 matérias relacionadas à Covid-19, registrando desde o primeiro caso em Duque de Caxias até as estatísticas mais recentes.
Indo muito além do Coronavirus, as páginas do Site da Baixada também registraram a luta do setor da cultura para se manter ativo com suas lives e lançamentos, o negacionismo com a ciência e o pouco caso que governantes tiveram com a população, os esforços na área do empreendedorismo, as ações sociais que salvaram tantas vidas e muitos outros assuntos.
De olho em tantos assuntos, o Site da Baixada reuniu a Redação para discutir quais foram as reportagens mais marcantes do ano de acordo com cada membro. O que segue é um panorama de 2021 e suas tantas vozes que encontraram por aqui uma plataforma para ampliarem seu alcance.
O ano começa com uma ‘trip nas ruínas’ registrada nos stories do SB. Aquela talvez se tornaria a pedra fundamental para o jeito que o Site da Baixada iria se comportar ao longo do ano: produzindo conteúdo nas redes sociais, multimídia, pensado para outras plataformas fora do portal.
Ainda em janeiro, o podcast do Site da Baixada é oficialmente lançado: o Baixadacast. Pensado para registrar o noticiário da Baixada Fluminense, ao longo do ano o espaço foi tomando outra forma e hoje é produzido em torno de um assunto principal, servindo também como parte do registro histórico da Baixada Fluminense.
Março: a pandemia se torna oficial
A notícia que todo mundo já está cansado de saber, mas não pode faltar numa retrospectiva: a chegada da pandemia na Baixada Fluminense. Nas páginas do Site da Baixada, o assunto foi apresentado ao longo de cinco dias. Primeiro, algumas cidades começaram a anunciar mudanças na sua rotina. Na sequência, o Estado baixou um decreto, que deixava para o dia 16 de março um ponto de virada na rotina de todas as pessoas.
A vida dos trabalhadores de delivery na Baixada Fluminense durante a pandemia
Escritor e repórter do SB, Thiago Kuerques conversou com entregadores de Nova Iguaçu, Queimados, São João de Meriti e Duque de Caxias. O resultado destas conversas foi uma reportagem que falou dos desafios encarados pelos motociclistas no auge da pandemia.
“Foi um momento de quarentena mais rígida e foi muito bom ter esse contato, entrevistar essas pessoas de uma das categorias que estavam na linha de frente no combate da pandemia. Foi muito bom conhecer a história de vida de cada um. Tive que reduzir muito pra caber na matéria, mas eu acho que foi marcante. É o tipo de coisa que gosto de escrever.” – explica Thiago.
A matéria também mexeu com outras pessoas da Redação e trouxe a reflexão, como para Samuel Souza: “acho que foi uma matéria muito importante pra gente entender como todas as camadas da sociedade estavam absorvendo a pandemia e como não está todo mundo no mesmo barco. São muitas nuances”.
“Eu achei sensacional. Qual veículo aborda essa temática com um texto tão bem construído e faz isso ser compartilhado, faz as pessoas lerem esse conteúdo…? Então eu vi que o SB é um coletivo necessário, que eu sei que as pautas que eu vier a propôr vão ser abraçadas. Essa pauta me marcou muito, foi logo quando entrei no SB e vi que ela é a cara da Baixada. É a cara da luta de todos os moradores, sabe? Era a cara do Site da Baixada” – também comenta Lucas Cruz, repórter do Site da Baixada.
A luta pelo Instituto Federal de Belford Roxo
Em junho, a Prefeitura de Belford Roxo criou barreiras para construção definitiva do Instituto Federal na cidade – este é, inclusive, literalmente o título da reportagem que foi financiada pelos leitores do portal. “Foi a primeira vez que saí de casa para fazer algo que não era supermercado”, lembra o editor do Site da Baixada, Wesley Brasil. “Encontrei o Lucas Cruz no caminho, que me deu um face shield. Eu sentia um peso enorme nas costas, afinal era a primeira vez também que a Redação do Site da Baixada usava os recursos do financiamento coletivo para a produção de uma reportagem. Muita responsabilidade. Mas os leitores não questionaram a urgência do assunto”, conclui.
https://open.spotify.com/episode/6CGp41aGcyupezHJtiuKOP?si=VSiyt4OARs-IsbLej5y0Iw
A reportagem do Site da Baixada foi parar na redação do RJTV, dando mais urgência para a reportagem da TV Globo chegar no local. “A matéria fala do problema, explica o que está acontecendo, explica o projeto, faz link com vários documentos que estavam disponibilizados na internet, cruza com matérias do próprio site… Achei bem didático. Eu acho que é isso que a gente procura: ter uma matéria cada vez mais explicativa e que traz uma imersão. Ao mesmo tempo que critica, mostra o planejamento, traz uma esperança” – comenta Larissa Medeiros.
No episódio 21 do Baixadacast, anunciando um possível fim para o imbróglio envolvendo o terreno do IFRJ, Wesley recebeu o procurador do Ministério Público Federal, Julio Araujo, que explicou a respeito da decisão da justiça que garantiu o terreno para a unidade de ensino técnico.
O IFRJ de Belford Roxo é integralmente voltado para economia criativa e já formou quase dois mil alunos – mesmo sem poder realizar a expansão do prédio, cujo alvará não era liberado pela Prefeitura. Isso resultou numa briga que foi parar nos tribunais e envolveu o futuro de jovens da Baixada Fluminense que são levados a estudar na capital carioca para ter acesso a outras disciplinas fora do campo criativo.
O assunto se desdobrou com a publicação de reportagens sobre alguns artistas formados pela instituição. “Eu queria muito ter escrito uma das diversas matérias de perfil. Foram muito bonitas e contar histórias é o que mais marca o Site da Baixada. Quase que uma inveja por não ter contado essas histórias como meus colegas contaram”, comenta Thiago Kuerques.
O anúncio do Museu Marinheiro João Cândido
Em São João de Meriti, o Morro do Embaixador estava recebendo as obras de um museu que chega para homenagear um herói que escolheu a cidade para viver os últimos dias de sua vida. Trata-se de João Cândido, o Almirante Negro, reconhecido internacionalmente pela sua coragem durante a revolta da chibata. Em junho, a notícia da construção do Museu Marinheiro João Cândido chegou como sugestão de pauta pela Prefeitura de São João de Meriti e foi muito bem recebida no instagram.
“Fiquei muito alegre, porque eu cresci em São João e depois de anos fui saber sobre João Cândido. Aproximar isso de uma forma mais visual pra passar pro povo que às vezes esquece sua própria história é muito importante. Já é um grande passo”, lembra o artista visual Ramon Lid, que atua como ilustrador no Site da Baixada.
O Dia do Orgulho LGBTQIA+
Junho também marcou a estreia do repórter Lucas Cruz, que escreveu sobre o pagamento do auxílio emergencial. Mas ele destaca uma outra, escrita 20 dias após sua chegada: “a matéria sobre o Dia do Orgulho LGBTQIA+. Eu como LGBT, como parte dessa comunidade, acho que a nossa função é de fato propagar e fazer com que as pessoas conheçam a história desse movimento, saibam da importância desse dia e dessas bandeiras para a conquista de direitos que todos merecem, mas que são tão negados para essa comunidade – principalmente para a população trans”.
O Cinema de Guerrilha da Baixada
Em julho, Lucas Cruz conversou com muitas pessoas cujas vidas foram impactadas pelo Cinema de Guerrilha da Baixada, que produziu o programa de TV ‘Vem pra Baixada’ que chegou em sua última temporada. “Contar essa história do ‘Vem pra Baixada’ foi um momento único, muito inspirador. Porque de fato eu vi que a Baixada Fluminense é um lugar de potência, é um lugar que produz coisa foda pra caralho e a gente precisa mostrar isso. Eu me vi pertencente, é uma parada muito grande, que é o Site da Baixada”.
Serviços de transporte na Baixada Fluminense quase pararam
Na metade de julho, a repórter Larissa Alves foi apurar a demora e até o sumiço dos ônibus relatada por passageiros na região. As empresas de ônibus anunciavam ter levado um prejuízo em torno de R$700 milhões, agravado pela pandemia. Larissa procurou a TransÔnibus para explicar o assunto, rendendo uma longa reportagem que circulou pelas redes sociais – só no Facebook foram mais de 200 compartilhamentos.
“Uma coisa que me motivou muito foi o processo de apuração. Entrei em contato com a TransÔnibus, debatemos o assunto no podcast, virou matéria e depois teve atualização. Eu gosto disso: sou motivada por problemas” relembra Larissa.
Agosto: onda de frio histórica, desvalorização da mão de obra criativa e a morte de Chadwick Boseman
Conhecido pelo grande público após interpretar o herói Pantera Negra, da Marvel, o ator Chadwick Boseman faleceu após 4 anos de luta contra o câncer de colón diagnosticado, ainda em 2016, já no terceiro estágio da doença. A homenagem ao ator veio através da ilustração de Ramon Lid e do texto de Larissa Medeiros.
“A comoção que foi pelo que ele representou nas últimas atuações dele trouxe um desafio”, explica Ramon. “Ele representou muito pro povo preto. Foi ilustração que mais mexeu comigo, pela notícia e o trabalho que tive que desenvolver”.
Outro assunto que marcou o mês foi a onda de frio histórica que chegou na Baixada Fluminense, escrita por Rafaela Lohana, que lembra: “fiquei muito nervosa, primeiro porque era minha primeira matéria e segundo porque eu não conseguia procurar referências de como ela iria atingir o território da Baixada Fluminense. Foi ali que eu entendi qual era o meu lugar, o que era realmente pra fazer ali, porque não era só um site, um portal de notícias. Era muito mais que isso”.
Desde então, Rafaela se dedicou a pautas especialmente ligadas a economia criativa, tendo noticiado no mês seguinte o lançamento da Feira BXD – iniciativa do Site da Baixada voltada para pequenos empreendedores da Baixada Fluminense, que usa o instagram do portal como vitrine para eles.
Mulheres, crochê e arte
Rafaela também lembra de uma outra reportagem de agosto: Mulheres, crochê e arte: o elo da desvalorização no mercado. “A minha mãe trabalha com artesanato e é muito forte essa desvalorização desse tipo de trabalho. As pessoas realmente preferem comprar uma coisa de uma loja que tem 50 milhões iguais no mundo. E às vezes esse trabalho é a principal fonte de renda dessas mulheres, dessa família. Foi importante a gente falar disso para as pessoas olharem com mais carinho e perceberem que é um trabalho como todos os outros”.
A reportagem em questão foi publicada no último dia de agosto, escrita pela repórter Larissa Medeiros, e que marcou pessoas de diferentes gerações – inclusive entre as três personagens da matéria. O texto fala de três gerações de mulheres (neta, filha e avó) que fazem crochê em Nova Iguaçu. Larissa revisita esse momento com carinho: “A história era ótimo, no processo de apuração fui descobrindo coisas bem bacanas e no final montei uma linha do tempo. Uma matéria que me deixou feliz, ficou relativamente grande, mas rendeu elogios que eu nem esperava receber. O Site da Baixada te dá isso, a permissão de você poder ir com calma e aprofundar mais o assunto”.
As eleições de novembro
“O que mais me marcou no Site da Baixada em 2020 foi a cobertura das eleições municipais. Foi minha primeira cobertura de um evento grande desse jeito e com certeza foi o que mais me marcou. Foi um domingo muito especial”, explica Samuel Souza, que fez um verdadeiro plantão em pleno domingo de sol para noticiar cada detalhe.
A cobertura das eleições 2020 foi um desafio extra, uma vez que o TSE disponibilizou um website e até aplicativo para toda a população acompanhar os resultados. A estratégia montada pela Redação foi a de analisar os resultados, observando o recorte de gênero, por exemplo. O resultado é um breve mapa que mostra como o morador da Baixada Fluminense vota: nem sempre nas pessoas que mais representam os recortes de classe social, raça ou gênero.
Ações beneficentes levam esperança para o fim de ano de famílias da Baixada Fluminense
A reportagem de estreia da mais nova integrante da Redação do Site da Baixada, Letícia Alves, traz uma carga dupla de esperança: tanto pela chegada de mais alguém no time quanto pelo seu conteúdo, apresentando projetos sociais na Baixada Fluminense que têm atuado na distribuição de alimentos.
“Eu sinto que essa matéria me marcou, porque eu saí de espectadora para repórter de um site que eu já acompanhava e admirava há um tempo”, analisa Letícia.
Pensando no futuro
Olhando para 2021, a notícia da vacina é unânime. Cada um comenta a sua visão para o próximo ano e o que gostaria de noticiar:
Samuel: “Começa a vacinação do Covid-19 – eu teria prazer de ir em cada posto de vacinação e entrevistar cada pessoa. MAs além disso eu espero que em 2021 a gente possa cada vez mais contar histórias inspiradoras de pessoas que têm feito a Baixada Fluminense um lugar melhor e que têm mudado a realidade do nosso território. A gente fez muito isso em 2020, só que acho que em 2021 a gente deve fazer mais e mais”.
Letícia: “Com certeza eu quero noticiar a primeira pessoa vacinada na Baixada Fluminense. Sem dúvidas! (risos)”.
Thiago: “Eu queria escrever sobre um movimento de paz em geral. Vacinação, retorno ao emprego… Um novo tempo do Brasil e da Baixada Fluminense. Notícias positivas, notícias muito boas, ‘Não estamos mais com o pé na lama’, digamos assim”.
Ramon: “O que a gente mais tem pensado é esperança, a vacina pra esse mal aí. É uma coisa tão aguardada, mas penso que poderia acontecer de forma organizada, ter uma campanha de vacina legal e pra todos, sem faltar isso ou aquilo e sem ter roubo. É uma utopia mas é uma notícia que eu gostaria de relatar pro próximo ano”.
Lucas: “acho que vai ser unânime que todo mundo vai querer escrever sobre a vacina. Eu queria escrever uma matéria que boa parte da população da Baixada Fluminense foi imunizada contra a Covid-19. Mas o que eu queria muito escrever, o que seria uma realização pessoal e profissional seria escrever sobre a história do movimento LGBT especificamente na Baixada, fazendo uma linha do tempo de como o estopim do movimento nos Estados Unidos resvalou aqui no Brasil, como começou o movimento no Brasil, como se deun início na Baixada, como foi a importância da criação de movimentos de grupos LGBT’s para que o movimento fosse como ele é hoje, pra que gente conseguisse direitos ao longo dos anos. Como conseguimos esses direitos? Quem foram as pessoas que tiveram na linha de frente nessas conquistas? Essa matéria seria muito significativa em sentido profissional e pessoal. Eu estaria contribuindo para que essa história fosse contada, pra que as pessoas soubessem como foi esse movimento”.
Rafaela: “Com certeza a matéria que eu quero fazer para o próximo ano é o Baixadacast de Afrofuturismo que eu estou devendo há um tempão. Porque é um movimento que pode falar sobre a vida, as perspectivas do jovem negro na Baixada Fluminense – e acredito pra quem acompanha o Site da Baixada também”.
Larissa: “Estou em débito com duas e já vou lançar aqui um spoiler junto com a Rafa: uma é sobre a violência contra as mulheres no território, entrevistei a superintendente do Estado que trata desses temas… Tem a do **** [aplicativo de caronas], que eu tô pra fazer tem tempo mas prometo lançar, se Deus quiser, no início de 2021. Inclusive se você tiver prints de conversas com motoristas de aplicativo que não querem circular em Belford Roxo, mande para [email protected]”.
Wesley: “Festival de rua. Abraço. Sorriso sem máscara. Gente pulando. Quero muito noticiar que a gente voltou a viver de verdade, na plenitude mesmo, sabe? Quero demais noticiar que o Site da Baixada tá apoiando o festival tal que vai acontecer dia tal na rua. Ou quem sabe a gente mesmo produz o nosso, não é mesmo?”.




