Casos de mpox aumentam no estado do Rio; Baixada Fluminense está entre as regiões em alerta

Estado confirmou 298 infecções até 6 de novembro, sem registro de mortes; Ministério da Saúde autorizou compra de vacinas e doses serão destinadas inicialmente à capital.

Por

#mpox

Casos de mpox aumentam no estado do Rio; Baixada Fluminense está entre as regiões em alerta

O número de casos de mpox voltou a crescer no estado do Rio de Janeiro. Até 6 de novembro de 2026, foram confirmadas 298 infecções, segundo a Secretaria de Estado de Saúde (SES-RJ). Desse total, 207 ocorreram na capital fluminense. Não houve registro de mortes pela doença no estado neste ano.

O aumento levou o governo estadual a reforçar as ações de vigilância e preparação dos serviços de saúde. O Ministério da Saúde autorizou a compra de até 20 mil doses da vacina contra a mpox e enviou mais de duas mil doses ao Rio de Janeiro. Inicialmente, esse reforço será destinado à capital, que concentra a maior quantidade de casos confirmados.

A situação também exige atenção na Baixada Fluminense, onde municípios integram a área de abrangência dos serviços de saúde do estado. Até o momento, porém, os dados apresentados pela Secretaria de Estado de Saúde não detalham a distribuição dos casos por município da região.

Capital concentra a maior parte das notificações

De acordo com a SES-RJ, dos 298 casos confirmados no estado entre janeiro e 6 de novembro, 207 foram registrados na cidade do Rio de Janeiro. Em todo o ano de 2025, o estado havia confirmado 119 infecções.

O aumento também foi observado na capital durante os meses de setembro e outubro. Nesse período, foram confirmados 74 casos, sete vezes mais do que no mesmo intervalo do ano anterior.

No cenário nacional, o Ministério da Saúde contabilizou 665 casos de mpox em 2026. Apesar da alta recente em determinadas localidades, o número é inferior ao registrado durante o surto de 2022, quando o Brasil teve mais de 10 mil infecções.

Vacinação será direcionada a grupos prioritários

O Ministério da Saúde autorizou a compra de até 20 mil doses da vacina contra a mpox para reforçar os estoques do Sistema Único de Saúde (SUS). O estado do Rio recebeu mais de duas mil doses em 4 de novembro, elevando para aproximadamente 3,5 mil o total destinado à região neste ano, conforme as informações divulgadas.

Segundo a Secretaria de Estado de Saúde, a vacinação é direcionada prioritariamente a grupos específicos, conforme critérios epidemiológicos definidos pelo Ministério da Saúde. Entre eles estão pessoas vivendo com HIV que apresentam maior risco de agravamento da doença, mediante levantamento prévio e agendamento.

Caso esse público não seja localizado após 15 dias da data prevista para o agendamento, as doses poderão ser oferecidas progressivamente a outros grupos com maior risco de exposição ou agravamento. São eles:

  • Pessoas vivendo com HIV que apresentam menor risco de gravidade;
  • Usuários da Profilaxia Pré-Exposição ao HIV (PrEP);
  • Profissionais de laboratório que manipulam amostras de mpox.

O esquema de imunização prevê duas doses, com intervalo de 28 dias entre elas. Até 2 de novembro, haviam sido aplicadas 953 doses em todo o estado do Rio, segundo dados da Rede Nacional de Dados em Saúde (RNDS).

Secretaria prepara treinamento para profissionais de saúde

A SES-RJ informou que mantém vigilância ativa junto aos municípios fluminenses e prepara uma nota técnica com critérios e orientações para o atendimento dos casos suspeitos.

A secretaria também organiza um treinamento para equipes técnicas das prefeituras, com o objetivo de qualificar a identificação e o encaminhamento de pacientes. O trabalho envolve profissionais responsáveis pelo diagnóstico inicial e pelo acompanhamento da doença nos serviços municipais.

O infectologista Rafael Galliez, do Instituto Estadual de Infectologia São Sebastião, explica que a transmissão ocorre principalmente pelo contato íntimo e por gotículas respiratórias. A secretaria recomenda que pessoas com sintomas suspeitos procurem atendimento em uma unidade de saúde.

Como ocorre a transmissão da mpox?

A mpox é uma doença infecciosa causada por um vírus do gênero Orthopoxvirus. A transmissão acontece principalmente pelo contato direto com lesões na pele, secreções corporais e mucosas de pessoas infectadas.

O contato físico próximo e prolongado também pode favorecer o contágio, inclusive durante relações sexuais. A doença não é considerada uma infecção sexualmente transmissível clássica, pois não depende de uma relação sexual para ser transmitida.

O beijo também oferece risco, especialmente quando há lesões na boca, nos lábios ou no rosto. Além disso, o compartilhamento de objetos contaminados, como toalhas, roupas e lençóis, pode transmitir o vírus.

A mpox não se espalha pelo ar com a mesma facilidade de doenças como o sarampo. No entanto, o contato próximo e prolongado com secreções respiratórias pode representar uma via de transmissão.

Quais são os sintomas e quando procurar atendimento?

Entre os sintomas mais comuns estão:

  • Febre;
  • Dor de cabeça;
  • Dores musculares e no corpo;
  • Cansaço;
  • Calafrios;
  • Aumento dos gânglios linfáticos, conhecidos como ínguas;
  • Erupções e lesões na pele.

As lesões podem aparecer em diferentes partes do corpo, incluindo rosto, mãos, pés, boca e região genital. Elas podem começar como manchas ou pequenas bolhas, evoluir para feridas e, posteriormente, formar crostas.

Nem todas as pessoas apresentam febre ou outros sintomas antes do aparecimento das lesões. Por isso, a orientação da Secretaria de Estado de Saúde é procurar uma unidade de saúde diante de feridas suspeitas, mesmo quando não houver outros sinais.

A confirmação do diagnóstico depende de avaliação médica e exame laboratorial, geralmente realizado a partir da coleta de material das lesões.

Mpox pode causar complicações?

A maioria das pessoas infectadas apresenta sintomas leves ou moderados e se recupera sem complicações graves. Entretanto, a doença pode provocar quadros mais severos, principalmente em pessoas com o sistema imunológico comprometido.

Entre os grupos que exigem atenção estão pessoas vivendo com HIV sem tratamento adequado, transplantados e pacientes em tratamento contra o câncer.

O tratamento é baseado em cuidados clínicos de suporte, com medidas para aliviar os sintomas, prevenir e tratar complicações e reduzir o risco de sequelas. Na maioria dos casos, os sintomas desaparecem em duas a quatro semanas.

A pessoa infectada pode transmitir o vírus enquanto houver lesões. O isolamento deve ser mantido até que todas as crostas caiam e a pele esteja completamente cicatrizada, conforme orientação dos profissionais de saúde.

Recomendações para prevenção

A Secretaria de Estado de Saúde orienta a população a adotar medidas para reduzir o risco de transmissão:

  • Evitar contato físico direto com lesões de pessoas com suspeita ou confirmação de mpox;
  • Suspender relações sexuais e contatos íntimos diante de sintomas suspeitos, até avaliação por um profissional de saúde;
  • Não compartilhar toalhas, roupas de cama, vestimentas e outros objetos de uso pessoal;
  • Procurar atendimento em uma unidade de saúde ao identificar lesões suspeitas, especialmente nas regiões genital, anal e oral, mesmo sem febre ou aumento dos gânglios linfáticos.

Informações e dados sobre a doença no estado podem ser consultados no painel Monitora RJ, da Secretaria de Estado de Saúde: monitorar.saude.rj.gov.br.

No seu email

Os principais assuntos da Baixada Fluminense gratuitamente no seu email. Sem spam.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Site da Baixada